Santo Anjo do Senhor

29-de-setembro-Dia-dos-Arcanjos-Sao-Miguel-Sao-Rafael-e-Sao-GabrielSanto Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarda, me governa e me ilumina. Amém.

No Manual de Doutrina Católica, diz sobre os Anjos o seguinte: “A Santíssima Trindade não criou apenas o mundo visível, mas também as criaturas espirituais: os anjos.
Foram criados para ajudarem os homens no caminho da salvação.

A existência dos anjos está suficientemente testemunhada na Bíblia. Nos Evangelhos aparecem os anjos colaborando com Cristo nos momentos principais da sua vida na terra: Encarnação, Nascimento, começo da Vida Pública, Paixão, Ressurreição e Ascensão. Cristo é o centro da vida dos anjos, porque foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, os Tronos, as Dominações, os Principados, as Potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele” (Col 1,16).

A Igreja venera os anjos, de quem recebe a sua ajuda. Na liturgia, une-se a eles para adorar a Deus, invoca a sua assistência na Eucaristia, pede que os anjos conduzam para o céu as almas dos nossos irmãos defuntos, e celebra a memória de alguns anjos ( S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael e os Anjos da Guarda). (Manual Doutrina Católica nº10).

Todos temos para a nossa proteção a ajuda do  Anjo da Guarda. Vários papas e santos tiveram uma grande devoção ao Anjo da Guarda: Pio XII, São Gregório, Padre Pio, Santa Gema, Santa Terezinha do Menino Jesus, Santa Francisca Romana, São João Paulo II,   Papa São João XXIII, Papa Bento XVI.

A 3 de Outubro de 1958, o Papa Pio XII, proferiu um discurso inteiramente dedicado aos Anjos, uma semana antes de sua morte: “Ontem a Igreja celebrou a festa dos Santos Anjos da Guarda. Nós sabemos que os Anjos são seres invisíveis, mas grandes e potentes. Por isso, a Providência divina os colocou como guardas sobre todo o mundo material. Eles velam sobre todos aqueles países e cidades que vós visitastes nestas semanas passadas. E são também eles que vos protegeram durante a vossa grande viagem até chegarem aqui. Não disse o Senhor acerca das criancinhas: “No céu, os seus Anjos contemplam sempre a Face do Meu Pai que está no céu”?

Mas, quando um dia estes pequeninos forem adultos, será que os seus Anjos então irão abandoná-los? Oh não, isso não! Acaso não dizia ontem a Liturgia: “Cantemos os louvores dos Anjos, guardas dos homens, acompanhantes celestes que o Pai mandou como protetores da fraca natureza humana, para que os homens não caiam nas mãos dos seus inimigos que tramam a sua perda eterna”?

Com frequência, encontramos tais pensamentos nos escritos dos padres da Igreja.
Cada pessoa, por mais simples que seja, tem um Anjo que a acompanha no seu caminho. A tarefa dos Anjos é esta: velar cuidadosamente  sobre nós para que não nos afastemos de Cristo, Nosso Senhor. Eles não só nos protegem contra todos os perigos que poderiam nos  ameaçar em nossos caminhos, mas estão também ao nosso lado para nos encorajar ativamente a subirmos cada vez mais no caminho que leva à santidade.

Caros peregrinos, uma vez que podemos receber-vos aqui no início deste mês de Outubro, não queremos deixar de vos admoestar a despertar e ativar o vosso sentido interior para entenderdes o mundo invisível à nossa volta, pois as coisas visíveis são fugazes (transitórias) enquanto as invisíveis são eternas.

Além disso, queremos encorajar-vos desde já a construir relações íntimas com os Anjos, que com tanto zelo velam por vossa salvação eterna e pela vossa santidade. Deus vos conceda que mais tarde possais unir-vos a eles em bem-aventurança durante toda a eternidade. Aprendei, pois, desde agora a conhecê-los!”

 

O Catecismo da Igreja Católica nos diz sobre os Anjos: “A existência dos seres espirituais, não corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de Anjos, é uma verdade de fé. O testamento da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição”(Cat. 328).
“Como criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória”. (Cat. 330)
“Eles aí estão, desde a criação e ao longo de toda a História da Salvação, anunciando de longe ou de perto esta salvação e servindo ao desígnio divino de sua realização: fecham o paraíso terrestre, protegem Lot, salvam Agar e seu filho, seguram a mão de Abraão, comunicam a lei por seu ministério, conduzem o povo de Deus, anunciam nascimentos e vocações, assistem os profetas, para citarmos apenas alguns exemplos. Finalmente, é o Anjo Gabriel que anuncia o nascimento do Percursor e o próprio Jesus”.(Cat.332)

Segundo o Padre Hubert van Dijk Orc, no seu livro ” O Meu Anjo e Eu”. Existe sete degraus para caminhar com o Anjo da Guarda, vamos transcrever os sete graus:
1-O primeiro grau é saber o que a Revelação divina e a Igreja, mais a tradição Apostólica, nos ensina sobre os Anjos.

2-O segundo grau trata-se de aprender a escutar o que o Anjo diz. fazer uma relação de amizade, com aquele que nos acompanha constantemente. Se Deus nos diz “Escuta-o”!, isto significa que é possível ouvir o Anjo, o que ainda quer dizer que o Anjo se revela com uma mensagem, ma exortação ou um aviso. devemos aprender a captar os seus sinais e a descobrir, por trás deles, o próprio Anjo, para então responder. Pois o Anjo fala em Nome de Deus.

3-O terceiro degrau diz “Pergunte!” Isto pode significar “fazer uma pergunta”, mas também “pedir uma ajuda”. Frequentemente o homem precisa receber luz e auxílio concreto do Anjo. Dirigir-se ao Anjo por iniciativa própria, ainda que isto se limite, inicialmente, a um pedido de ajuda, favorece um contacto mútuo e assim surge a esperança da graça de uma amizade com ele. Deste modo, tornamo-nos ativos, saímos do nosso mundinho e nos abrimos a este ser desconhecido, destinado por Deus a ser o nosso Irmão.

4-O quarto grau diz: “Obedeça!” A obediência que devemos ao Anjo é a mesma que devemos Àquele que o enviou. Citemos mais uma vez Êxodo 23, 20-22: “Mandarei um Anjo à tua frente, para que te guarde pelo caminho e te introduza no lugar que eu preparei. Respeita-o e ouve a sua voz. Não lhe sejas rebelde; ele não suportará vossas rebeliões, pois nele está o meu nome. Mas se de fato ouvires sua voz e fizeres tudo quanto te disser, eu serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários”.

5-O quinto degrau: “Aprenda!” Aprender aqui significa: “Aprenda a dizer nós”. Trata-se de um grande passo à frente no caminho para uma vida de união com o Anjo. Que grande felicidade será então não mais pensar e dizer: “Eu faço isto, eu vou para lá, eu quero rezar…” Mas em vez disso, pensar e dizer “nós”, para fazer tudo juntamente com o Irmão que Deus nos deu para o tempo e a eternidade. Assim venceremos cada vez mais a triste preferência deste eu que sempre quer ficar parado em si. Também isto deriva dos frutos amargos do pecado original contra os quais temos de lutar até à morte. Então nascerá a necessidade e a facilidade para nos olharmos, escutarmos e falarmos.

6-O sexto degrau: “Consagra-Te!” A consagração, compreende-se um acto com o qual o fiel confia e recomenda a sua própria vida a Deus ou aos Santos. Nela, a ligação a Deus, que surge ao recebermos o Sacramento do Batismo, permanece como fundamento. A consagração é inspirada pelo desejo de honrar Deus ou os Santos e de fazer assim um progresso na virtude.
O Anjo da Guarda é um presente do amor de Deus. Se nós mesmos tivéssemos podido escolher o nosso Anjo da Guarda dentre todos os Santos Anjos, certamente não teríamos encontrado um melhor do que aquele que Deus, na Sua infinita sabedoria, nos deu. O Anjo combina connosco e nós com ele. Pode-se comparar essa ligação entre Anjo e homem com aquela entre o homem e a sua cruz. Cada um, assim podemos pensar, recebe a cruz do tamanho certo e que lhe traz mais graças.

7-O sétimo degrau: “Agradeça-lhe!” Se queremos mostrar ao Anjo a nossa gratidão, unamo-nos muitas vezes a ele, no decorrer do dia, no seu eterno “Sanctus…”, visitemos o Senhor no Sacrário, onde está sempre rodeado de Anjos. Observemos o silêncio e a solidão, tão necessários para caminhar na presença de Deus e para a oração silenciosa. Exerçamos generosamente as obras de misericórdia, veremos a Santíssima Virgem, Rainha dos Anjos, e também os Coros dos Anjos, de modo especial os três Arcanjos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael. E incentivemos cada pessoa, neste mundo cheio de miséria, a venerar os Santos Anjos e invoca-los com toda a confiança!

Oração ao Santo Anjo da Guarda
Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre rege, guarda, governa e ilumina.
Eu te dou a minha mão e prometo de coração, que por ti me deixo guiar com docilidade para no céu alcançar a eterna felicidade. Amém.

Santo Anjo da Guarda (Da obra dos Santos Anjos)

Santo Anjo da Guarda, que me foste dado por Deus como companheiro para toda a minha vida, cumpre para comigo o teu dever, que o amor de Deus te confiou, para que eu me salve para a eternidade.
Sacode-me na minha indiferença e tira-me da minha fraqueza. Impede todo caminho e pensamento errado!
Abre-me os olhos para Deus e para a cruz. Mas, fecha-me os ouvidos contra as insinuações do inimigo maligno.
Vela sobre mim quando durmo e fortifica-me durante o dia para o cumprimento do meu dever e para qualquer sacrifício.
Deixa-me ser um dia a tua alegria e a tua recompensa no Céu. Amém.

 

consultas:- Manual Doutrina Católica
-O Meu Anjo e Eu, Dr. H. J.van Dijk ORC, Mosteiro Belém GUARATINGUETÁ – S. Paulo, 2016.
-Catecismo da Igreja Católica, Secretariado da Educação Cristã.