Santa Rafqa do Líbano

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1 – Rafqa em Himlaya (1832-1859)

A Santa Rafqa nasceu a 29 de Junho de 1832 em Himlaya, uma das vilas do Metn do norte, perto de Bikfaya.

Era a filha única de Saber El-Choboq El Rayess e Rafqa Gemayel. A 7 de julho de 1832, foi batizada e chamada de Boutroussieh. Os seus pais  ensinaram-na a amar a Deus e a rezar diariamente. Na idade de sete anos, sofreu a primeira grande perda com a morte da sua mãe.

Em 1843, o seu pai passou por dificuldades financeiras e enviou-a a trabalho como criada por 4 anos em Damasco na casa de Assaad Al-Badawi, de nacionalidade libanesa. Rafqa tornou-se uma jovem bonita, pura, meiga, simpática, engraçada e com uma voz serena. Em 1847, ela voltou à casa  encontrando o pai que se tinha voltado a casar. A sua nova esposa queria que Rafqa casasse com o seu irmão.Desenvolveu-se um conflito quando a sua tia também tentou arranjar um casamento entre o seu filho e Rafqa.

Assim Rafqa pediu a Deus por ajuda e para clarificar os seus pensamentos. Deste modo, a sua decisão, de dedicar a sua vida a Jesus Cristo e a tornar-se uma freira foi para ela uma grande alegria.

2 – Rafqa na Congregação das Mariamettes (1859-1871)

Naquele tempo, Rafqa sentiu- se atraída pela vida religiosa e assim pediu a Deus para que lhe ajudasse a alcançar o seu desejo. Decidiu ir para o Convento da Nossa Senhora da Libertação em Bikfaya. Lá, ela juntou-se ás Mariamettes, fundada pelo Padre Joseph Gemayel.

Quando entrou para o convento, sentiu-se profundamente alegre e feliz. Um olhar para o ícone de Nossa Senhora da Libertação foi o suficiente para confirmar a voz de Deus que lhe disse para entrar na vida religiosa: “Vais tornar-te numa freira”. A Madre Superiora aceitou Rafqa sem a questionar, então ela entrou no convento. Depois disso, ela recusou -se a voltar para casa  com o seu pai e a mulher, quando eles vieram tentar desencorajá-la a se tornar freira.

Após um período de postulado, Rafqa vestiu o manto de noviça  relacionado com a congregação na festa de São José, a 19 de Março de 1861. Uma ano depois e na mesma data, ela pronunciou os votos temporários.

Foi para o Seminário de Ghazir onde ficou a cargo do serviço da cozinha. Entre os seminaristas estavam Elias Howayek, que mais tarde se tornou Patriarca e Boutros El-Zoghbi, que mais tarde se tornou Arcebispo.

Rafqa estudou árabe, caligrafia e aritmética no seu tempo livre e também ajudou jovens  aspirantes a juntar-se à sua congregação.

Em 1860, Rafqa foi enviada a Deir El Qamar para ensinar catecismo. Lá, ela testemunhou os conflitos sangrentos que ocorreram no Líbano durante aquele período. Numa ocasião, ela arriscou a sua própria vida escondendo uma criança sob um manto e salvando-a da morte.

Após um ano em Deir El Qamar, Rafqa regressou a Ghazir. Em 1863, foi enviada para ensinar numa escola da sua congregação em Byblos. Um ano mais tarde, foi transferida para a vila de Maad. Lá, com outra freira, ela passou sete anos estabelecendo uma nova escola para meninas, isto foi possível através da generosidade do sr. Antoun Issa.

rebecca

3 – Rafqa na Ordem Maronita Libanesa 

  • No Mosteiro de St. Simon El Qarn em Aito (1871-1897)

Enquanto vivia em Maad e seguia a crise na sua congregação, Rafqa pediu a Deus que a guiasse para a decisão certa. Entrando na igreja de São Jorge, para orar por ajuda, ela ouviu a voz de Deus que lhe disse: “Vais permanecer uma freira”. Na mesma noite, ela sonhou e viu São Jorge, São Simão  e Santo António o Grande, Pai do monasticismo. Santo António, o Grande disse-lhe: “Entra na Ordem Maronita Libanesa”.

A sua viagem de Maad ao Mosteiro Maronita de São simão El Qarn em Aito foi facilitada pela generosidade do Sr. Antoun Issa. Ela foi imediatamente admitida na Ordem. Vestiu o manto de noviça a 12 de Julho de 1871 e pronunciou os votos solenes em 25 de Agosto de 1872.

Passou 26 anos no mosteiro de São Simão. Era um modelo exemplar para outras freiras na sua observação das regras e na sua devoção à oração e ao silêncio. A sua vida estava repleta de sacrifício e de austeridade.

No primeiro Domingo de Outubro de 1885, ela entrou na igreja do mosteiro e começou a orar pedindo a Jesus que lhe permitisse experimentar alguns dos sofrimentos que Ele suportou durante a Sua Paixão. A sua oração foi imediatamente concedida: uma dor insuportável começou na sua cabeça e moveu-se para os seus olhos.

A sua superiora insistiu que ela fosse submetida a tratamento médico. Após todos as tentativas de a curar terem falhado, ela foi enviada à Beirute para tratamento. Passando pela Igreja de São João-Marcos em Byblos, os seus companheiros descobriram que um médico americano estava na área. Então levaram-na até ele. Ele ordenou uma cirurgia imediata para o seu olho direito. St. Rafqa recusou anestesia. No decorrer da cirurgia, o médico desenraizou o seu olho por engano, que caiu ao chão. Rafqa não se queixou e disse-lhe: “Pela Paixão de Cristo, que Deus abençoe as suas mãos e que Deus possa pagar-te de volta”. Dentro de pouco tempo, a doença atingiu o olho esquerdo.

Nos 12 anos seguintes ela continuou a experimentar dor intensa na sua cabeça. Ao longo deste período, como anteriormente, ela permaneceu paciente e conformada, orando na alegria do dom de partilhar o sofrimento de Jesus.

  • No Mosteiro Al Dahr de São José  em Jrabta (1897-1914)

No Mosteiro de São Simão, vivia a irmã Ursula Dumit que sofria de artrite. Os seus médicos aconselharam-na a viver próxima à costa. O irmão da irmã Ursula, Fr. Ignace Dumit decidiu fundar um mosteiro de freiras em Jrabta no distrito de Batroun. A terra para o projecto foi doada por Fr. John Basbous.

A 3 de Novembro de 1897, seis freiras – presididas pela Madre Ursula Doumit – foram enviadas para o novo mosteiro de São José, a irmã Rafqa estava entre elas. As outras freiras estavam com esperança que o novo mosteiro prosperasse graças as suas orações e ao exemplo que ela dava.

Em 1899, ela perdeu a vista do olho esquerdo e tornou-se paralisada. Com isto, uma nova fase de sofrimento começou, intensificada pela deslocação das suas articulações. Ela passou os últimos sete anos da sua vida deitada na cama, apenas do lado direito do seu corpo. Não se conseguia mover. Havia uma grande lesão no seu ombro esquerdo e ela costumava repetir: ” Pela ferida no ombro de Jesus”. As suas vértebras estavam visíveis sobre a pele e o seu corpo estava muito leve. Tornou-se como um esqueleto coberto por pele. As suas mãos permaneceram intactas; ela as utilizava para tecer meias.

Embora estivesse cega e paralisada, ela continuava a sorrir e a agradecer a Deus pela Sua graça de deixá-la participar na sua Paixão.

A sua cara reflectia paz e ternura até o fim dos seus dias. Ela estava pacífica, doce e o seu coração era muito simples. De acordo com alguns médicos, Rafqa sofreu de uma tuberculose osteo-articular.

Na quinta feira coincidente com o Dia do Santíssimo Sacramento, Rafqa pediu para ser levada para a igreja para assistir a missa. Contudo, ela não poderia ser levada para fora da cama como normalmente, num lençol porque a sua anca esquerda estava a doer naquele dia.

Quando a missa começou, todos ficaram chocados ao verem Rafqa a rastejar pela igreja…

Quando no final daquele dia, a madre superiora lhe perguntou como é que ela conseguiu se mover até à igreja, Rafqa respondeu que apenas pediu a Jesus para que a ajudasse, depois ela saiu da cama e rastejou até à igreja.

Rafqa sempre pedia às irmãs que não se esquecessem da sexta ferida de Jesus; a chaga no Seu ombro, a chaga que causou muita dor porque carregava a cruz dos nossos pecados. Rafqa sempre orou e recitou o Pai Nosso e a Avé Maria seis vezes pelas 6 chagas de Jesus. Ela tinha uma grande devoção pela Virgem Maria.

Rafqa tinha 82 anos quando morreu. Viveu 29 anos em sofrimento. No dia 23 de Março de 1914, fornecida com o  Santíssimo Sacramento, ela chamou por Jesus, a Virgem Maria e São José, depois ela descansou em paz após uma vida de oração, serviço e anos de dores insuportáveis.

Ela foi sepultada no cemitério do mosteiro. Uma luz esplêndida apareceu no seu túmulo por três noites consecutivas. Com a intercessão de St. Rafqa, o nosso Senhor fez muitos milagres e bênçãos.

A 10 de Julho de 1927, as suas relíquias foram transferidas para a igreja do mosteiro. O caso relacionado com a sua beatificação foi submetida ao Vaticano no dia 23 de Dezembro de 1925 e a investigação canónica da sua vida começou a 16 de Maio de 1926.

Declarações do Papa sobre Rafqa

O Papa João Paulo II declarou-a:

Venerável a 11 de Fevereirto de 1982.

Beatificada a 17 de Novembro de 1985.

Um modelo exemplar na adoração da Eucaristia para o Ano Jubileu 2000.

Santa para toda a Igreja a 10 de Junho de 2001.

ORAÇÃO

1001051_380171242094631_1568557313_nBem-Aventurada Rafqa, que percorrestes a nossa terra, entre os nossos cedros e os nossos rochedos; que vivestes no silêncio do teu mosteiro; és nossa irmã e filha da nossa terra, sede o nosso apoio e guiai-nos no caminho que nos conduz Àquele que tanto amastes! Sê para o nosso país um farol de luz e guia os seus passos para o testemunho gritante do Evangelho; ensina-nos a regressar às origens e às fontes da nossa fé cristã. Bem-Aventurada Rafqa, semeia a primavera nas estações da nossa vida, faz que as colheitas abundem nos nossos campos;cura pelo pó tomado do teu túmulo todos os nossos doentes; a fim de que possamos contigo , dar glória a Deus, nosso Pai, adorar o Filho, nosso Redentor e dar acção de graças ao Espírito Santo, agora e sempre. Ámen.  

SANTA RAFQA DO LÍBANO, ROGAI POR NÓS. NOSSA SENHORA SEDE A NOSSA SALVAÇÃO! 

MILAGRES E GRAÇAS

1º incidente

Este incidente aconteceu à Madre Ursula Doumit, Madre superiora do Mosteiro de São José (AD-Daher), Jrabta, apenas três dias após o falecimento da Irmã Rafqa em 23 de Março de 1914.

A Madre Ursula contou: “Eu tinha uma borbulha do tamanho de uma avelã na minha garganta que de certa maneira, importunava-me enquanto engolia ou falava, que durou sete anos.

Fiz referência do caso a um médico, Antoun Khairallah do Jran, que sugeriu que eu aplicasse alguma tintura de iodo. Prontamente assim o fiz, mas infelizmente não foi de grande utilidade e começou a crescer até se tornar tão grande como uma grande amêndoa. Depois, estendeu-se para fora, causando-me uma grande dor que me impedia de engolir ou beber, até mesmo leite.

Por causa disso, comecei  a sofrer de enxaqueca aguda que me obrigou uma noite a deitar-me mais cedo que o costume e de pedir ás freiras que me deixassem sozinha de modo a conseguir dormir. Enquanto estava quase a adormecer, ouvi uma batida na porta; acordei e perguntei: “Quem é?”

Uma voz do lado de fora respondeu: “Toma alguma terra da sepultura de Rafqa e esfrega a sua garganta com ela, e então será curada”. Bem, pensei que seria uma das freiras que tinha batido à minha porta e falou comigo daquela maneira. Depois respondi: “Porque não me deixas em paz para dormir?” mas ninguém respondeu. Assim que tentei voltar ao meu sono, ouvi de novo, batidas mais altas na porta acompanhadas pela mesma conversa que havia ouvido antes. Por isso respondi que iria apanhar um pouco do solo pela manhã.

No dia seguinte, perguntei a cada uma das freiras se teriam batido na minha porta e a sugerir que eu buscasse um pouco do solo…, mas as respostas eram negativas. Contudo, apanhei um pouco do solo da sepultura da irmã Rafqa, interrogando-me o que teria acontecido comigo e dissolvi-o em alguma água e apliquei -o na borbulha.

Depois disso, uma das freiras ofereceu-me um copo de leite que eu bebi sem qualquer incómodo ao engolir.

Depois, a freira perguntou: “Como está a sua garganta?” Isto me fez logo relembrar do incidente acima referido  e impulsivamente estiquei a minha mão para sentir a borbulha, mas tinha desaparecido e eu tinha sido completamente curada desde então!!!”

Este incidente e a voz misteriosa inspiraram as freiras do mosteiro a distribuir, como benção, uma mão cheia de solo tirado da sepultura da Santa Rafqa. Este solo tornou-se uma fonte de graça e cura para os crentes em Deus através da intercessão de Sta Rafqa.

Celine Sami Rbaiz

O milagre descrito abaixo ocorreu na Região Remail, Beirute com Celine Sami Rbaiz, nascida a 10 de Maio de 1983.

Em Outubro de 1984, Celine Rbaiz encontrou-se incapaz de comer ou beber. Como resultado, foi hospitalizada. Ao longo dos seis meses seguintes, sentiu sangramento agudo no seu estômago inchado. Perdeu peso, tornando-se cada vez mais fraca. Os exames eventualmente mostraram que havia lesão no seu rim esquerdo.

A Setembro de 1985, o rim foi removido. O relatório patológico indicou a presença de um cancro avançado. Apesar da quimioterapia, o cancro metastizou para o fígado.

Rapidamente, a saúde de Celine se deteriorou mais ainda. Quando os seus olhos e nariz sangraram, os médicos concluíram que ela não tinha mais de 24 horas de vida.

A avó de Celine, a sra. Yvette Daoo, leu um artigo de uma revista sobre a Bendita Rafqa. Ficou muito comovida pela história de Rafqa. Sabendo da situação crítica de Celine, ela perguntou se poderia ter a terra do túmulo da “Santa que cura cancro”. Ela acreditava que o solo poderia curar a Celine. Entretanto, a mão de Celine, a sra Raymonda Daoo Rbaiz, adquiriu uma mão cheia deste solo. Na noite do dia 23 de Novembro de 1985, a mãe e a avó de Celine juntaram a terra do solo à comida de Celine; e a mão dela disse: “Isto é o único medicamento para a Celine.”

De facto, o solo utilizado pela mãe de Celine tinha sido dado a ela pela sua vizinha, a sra Bernadette Kababeh Ibrahim. Ela leu um livro intitulado “Rafqa: A Sexta Ferida” e tinha ficado muito impressionada pela vida de Rafqa e os seus milagres… Ela tinha ido com o Fr. Salim Rizkallah, um padre capuchinho e um grupo de peregrinos a celebrar uma missa no túmulo de Rafqa no sábado dia 16 de Novembro de 1985, na noite anterior da beatificação de Rafqa. No momento, ela obteve terra do solo do túmulo de Rafqa, que mais tarde entregou à mãe de Celine.

Com dificuldade, Celine comeu a primeira colherada. Após alguns segundos, sentiu as  suas forças a voltarem e comeu uma grande porção. Uma hora mais tarde, recuperou-se totalmente. A sra. Raymonda Daoo Rbaiz ficou admirada quando viu a sua filha, Celine a sair da cama e a andar nos corredores do hospital… Ajoelhou-se e rezou o terço em honra da Bendita Rafqa e agradeceu -a por curar Celine.

Mais tarde, quando o médico a examinou, ficou chocado. “O que é que fez a esta criança?!!! Não consigo entender, isto é impossível!!! A Celine não precisa mais de realizar uma operação!!!”

Preparou-se para encerrar o caso de Celine. A sra Daoo Rbaiz disse: “Encerro -o com Sta Rafqa.” Outro médico examinou a Celine e disse: “… eu sou um crente e pratico a minha fé. Na minha opinião, a cura de Celine foi o resultado de intervenção divina, porque aconteceu de repente e rapidamente…”

A sra Yvette Daoo, avó de Celine, insistiu que Celine visitasse o túmulo de Sta Rafqa. Lá ela disse-lhe que repetisse: “Santa Rafqa, eu sou Celine. Peço-te que me cures”. Todos os que estavam presentes e ouviram o que ela disse, começaram a chorar…

Ao choque contínuo dos seus médicos, Celine permaneceu fisicamente vigorosa, continuando os seus estudos com distinção e é activa na sua paróquia. Especialmente honrando Santa Rafqa.

Fonte: Site oficial da Santa Rafqa –  www. strafqa.org

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