Nossa Senhora em Puerto Rico, Montanha Santa.

História das extraordinárias aparições da Nossa Senhora, na Montanha Santa em Puerto Rico , município de San Lorenzo, em 1899 a 1909.

bienvenidos.1O município de San Lorenzo, encontra-se numa região montanhosa dentro de uma reserva natural de bosques húmido-tropical, formando parte da ”Sierra de Cayey”.
No cimo da Santa Montanha de ”Puerto Rico”, o Cerro de las Peñas, foi denominado ”Cerro Nuestra Madre”. No cimo da Santa Montanha de ”Puerto Rico”, encontra-se o Santuário Diocesano Nossa Senhora do Carmo, construído e dedicado em 1985 pelo Bispo emérito da Diocese de Caguas, monsenhor Hernández Rivera.
A história da Santa Montanha começa à 8 de Agosto de 1899, quando o fenómeno atmosférico conhecido como o furacão San Ciríaco, saiu da ilha depois de a atravessar diagonalmente, deixando à sua passagem 3.369 mortos, e centenas de milhares de pessoas sem lar. Os prejuízos foram estimados pelo governo em 35 milhões na época.

Então, perto da meia tarde de 8 de Agosto de 1899, enquanto o San Ciríaco saía pela costa noroeste da ilha, para entrar nas águas do oceano Atlântico, dois camponeses subiram de ferramenta na mão, ao bairro”Calzada del Pueblo” de Maunabu para salvar várias vacas em vias de se afogarem, numa pequena planície contígua ao rio Maunabu. O terreno onde se encontrava o gado estava com cerca de 60cm de água, devido ao transbordamento do rio, cujas águas tinham sido interrompidas pelo ajuntamento dos detritos causados pela tempestade, na sua desembocadura.

Desde ali, os dois camponeses detectaram uma figura erguida que flutuava sobre as águas do Mar Caribe, e mantiveram o olhar fixo sobre a ”tábua”, sobre a qual ambos deduziram que a mulher estava parada. A ”tábua” continuava flutuando sobre as águas do mar na direcção ocidental impulsionada pela corrente, pelo que os dois camponeses a perderam de vista.

Dois dias mais tarde, vários residentes do bairro”Jacaboa” do município de ”Patillas”, viram uma jovem desconhecida pela área, em direcção noroeste, pela rota do caminho para o ”Bosque Carite”. A jovem fez uma paragem na residência da família ”Poche”, para repreender um membro do Clã, por maltratar uma vaca, explicando em voz doce e suave que: ”Todas as criaturas de Deus merecem respeito”.

O jovem a quem repreendeu, regressou a sua casa tremendo, e informou a sua mãe que : depois de dizer isso, a muchacha se esfumou no ar. Na semana seguinte, a formosa jovem foi vista por vizinhos que residiam perto do caminho ”La Macarena”, que ligava os municípios de ”Yabucoa”e ”San Lorenzo”.

Um tempo depois da passagem do furação ”San Ciríaco pela ilha, um grupo de seis lenhadores procedentes do bairro ”San Salvador de Caguas”, área que colidia com o sector ”Morena” do bairro ”Espino de San Lorenzo”, empreendeu antes do amanhecer uma marcha de cerca de uma hora e meia por caminhos da montanha, até chegar à garganta do cerro ou colina ”Gregório de San Lorenzo”, e prosseguiu até à ladeira norte do Cerro de las Peñas” (colina das Penhas), situado na secção oriental do” Bosque Carite”, uma área abundante de carvalhos e árvores diversas. Ao romper do sol já o grupo de lenhadores se encontrava na colina.
Desde a passagem do ”San Ciríaco” pela ilha, o chefe do grupo Adolfo Ruiz Medina, tinha optado por levar a cabo os trabalhos de corte e limpeza das encostas dessa montanha, cuja irregularidade e profundidade tinham salvo centenas de árvores da fúria dos ventos.

Á hora do almoço, o grupo repousou nos arredores duma rocha de ”Granodiorite” de 4.50m de altura e de um diâmetro de 7.60m. Cada qual abriu as suas marmitas em que tinham trazido o almoço. Neste instante aperceberam-se da presença de outra pessoa no lugar, pelo que se aproximaram silenciosamente da gruta (formada pelo escavado da rocha). Para sua surpresa la dentro uma jovem lhes susteve o olhar e permanecia em silêncio. Foi Adolfo quem primeiro falou.
-Quem és menina?
Sou a tua boa ventura.
-Andas perdida? Perguntou outro dos lenhadores.
A jovem não pronunciou palavra, e quando um dos membros do grupo quis pegá-la, esfumou-se no ar. Os homens procuraram-na pelos arredores gritando dizendo:- ”Boa Ventura” queremos o teu nome.
Poucos dias depois, perto da hora do almoço, Adolfo pegou numa bilha, e anunciou uma paragem nos trabalhos. Encaminhou-se para uma ravina para procurar água para todos. Desceu a ladeira sob a colina e embrenhou-se na parte mais espessa do bosque. Um doce canto que ressoava em todo o bosque deteve-o no caminho. O lenhador olhou em todas as direcções, mas não viu ninguém.

image005O canto produziu no seu ânimo, uma grande paz. Passo a passo, acercou-se do lugar de onde vinha aquela voz tão sonora e, foi quando se encontrava perto da ravina que a viu. Era a mesma menina. Estava sentada sobre uma pedra e os seus pés brincavam com a água. Adolfo voltou a deter-se não só porque já não só escutava aquela voz, mas também de centenas de meninos cantando no bosque no idioma dos ”padres”.(latim).

Paralisado de assombro, olhou fixamente para a ravina e foi nesse momento que Ela levantou a vista e o viu parado no meio do arvoredo com a bilha na mão. Depois de uma breve conversação a jovem levantou-se e começou a afastar-se do lugar.
Mas, não caminha! Flutua! é como se alguém de cada lado a estivesse a carregar, concluiu Adolfo ao vê-La andar sem que os seus pés tocassem o chão.
Uma luminosidade que cada segundo aumentava, começou a cobrir a jovem até que adquiriu tal magnitude que cegou Adolfo, que instintivamente deixou cair a bilha e levantou o braço direito para proteger os seus olhos com a costa da mão. Nas duas ocasiões em que espreitou e reabriu os olhos para ver a jovem, viu-se obrigado a fechar as pálpebras e a protege-las novamente com a mão.
Quando finalmente desapareceu o resplendor e pode abrir os olhos, foi para descobrir que se encontrava só, junto à ravina. Um aturdimento apoderou-se do lenhador, e o seu corpo tremia dos pés à cabeça, perdeu toda a força de modo que se sentou no chão.
”MARIA SANTÍSSIMA QUE É ISSO?” Ao pronunciar o nome de Maria, Adolfo escutou uma voz masculina sussurrando-lhe ao ouvido:-Leva a água e volta para os teus companheiros!.
O lenhador olhou para todos os lados procurando encontrar a pessoa que tinha proferido a ordem, mas não havia ninguém nos arredores. Obedecendo, pôs-se de pé, apanhou a bilha, caminhou até a margem, e depois de enche-la, voltou para o grupo.

Passados uns dias desse encontro, encontravam-se os lenhadores empoleirados em escadas, serrando as ramas altas de várias árvores, quando avistaram a mesma jovem que tinham visto na rocha, flutuando a grande altura sobre eles.

-”Meus filhitos, bom dias! a Paz esteja convosco!”.
Neste instante os homens baixaram os olhos, não se atrevendo a olhá-la.
-”Olhem-me; não temam sou Eu”
-Mãe, onde estavas? Que tens feito? Perdão, mãe perdão! Alternaram-se a dizer os lenhadores que ainda não se atreviam a olhar os olhos da jovem.
-”Estava na minha casa com o Meu Filho amado.”
Pouco a pouco os seis homens levantaram o olhar, e ao descobrir que a jovem continuava em grande altura do chão, flutuando entre os ramos de uma árvore próxima, apoderou-se deles uma grande preocupação.
-Mamita, cuidado que vais cair, disseram em uníssimo.

p620020942-3-”Quero que me façam aqui uma cabana” disse-lhes Ela sorrindo.
Os homens olharam-se assombrados, já que a encomenda requeria vários trabalhos como, uma limpeza da área e arredores, além do fornecimento de madeira e água para todos os trabalhos que envolvem a construção de uma vivenda. Finalmente um deles atreveu-se a perguntar:
-Fazer aqui mesmo uma cabana Mãezinha? Em tudo isto não há água!
-”Quero aqui a minha cabana, não te preocupes pelo que falta.”
Na manhã seguinte, os homens transportaram ferramentas de construção até à colina e desbravaram a área de terreno escolhido pela misteriosa visitante par construir a sua humilde morada. Pouco antes do meio dia, a jovem reapareceu perante o grupo.
-”Aqui vai-se fazer a minha casa, que é para todos os meus filhos, sendo vós os primeiros”.
-Sim, Mamita, já sabemos, a tua cabana vai-se fazer aqui, mas a água fica muito longe de tudo isto, respondeu um dos homens.
-”Vão ali e tragam água! Lavam-se e têm água para beber”. Ordenou a jovem.

-Mamita, esse é um sitio seco, não tem água! São pedras secas. indicou Adolfo.
-”Andem, andem a buscar água”, replicou a jovem.
-”Depressa, depressa, mandou a Mamita,” ordenou Adolfo.
O grupo empreendeu a marcha até à zona norte, em cima, onde entre pedras de menor tamanho sobressaia um penhasco de ”granodiorite”. Para seu assombro, ao chegar à formação rochosa, descobriram que do lugar onde anteriormente só havia pedras amontoadas , brotava a borbotões, água fresca e cristalina.

Durante os quatro dias seguintes trabalharam incessantemente na casa, serrando árvores, cortando galhos, descascando troncos, fazendo tábuas e cortando postes e vigas, colocando depois, tudo no seu lugar. No final construiu-se uma pequena casa rectangular de uns 3.60m de largura , por 4.80m de comprimento e uma altura de 3.00m, com uma pequena varanda à frente, e o tecto de folhas de palma que se prolongava até cobrir a varanda. Por estar assente em pilares, a vivenda elevava-se a uns 0.90m do solo, pelo que colocaram uma pequena escada de três degraus, que permitia o acesso a varanda.

Depois de concluída a construção da vivenda, os homens chegaram à montanha com os seus instrumentos de trabalho habituais para continuar a serrar e limpar, às árvores, em suspenso pela construção da cabana. A jovem estava à espera deles. Dela emanava um grande resplendor que por uns instantes deixou mudos de assombro os lenhadores.

A alegria destes ao vê-La foi tanta, que todos exclamaram ao mesmo tempo:
-”Mamita, Mamita, bom dia”.
-”A paz esteja convosco meus filhos”.
-Mamita, já terminamos a tua cabana e vamos para o trabalho, disse o chefe do grupo.
-”Vamos dar graças antes de começarem os trabalhos, ou já o fizeram?”
-Não, não fizemos, mas o faremos quando começar-mos, respondeu Adolfo.

image006A jovem permaneceu em silêncio e imóvel à frente deles, pelo que os trabalhadores um a um tiraram os ”pavas”(chapéu dos camponeses ) e se ajoelharam no chão.
-”Repitam depois de mim, meus filhitos”.
Oração:
-Oh Deus, dou-te graças por teres cuidado de mim durante à noite. 
-Oh Deus, dou-te graças porque cuidas da minha mente para não pensar mal algum durante o dia.
-Oh Deus, dou-te graças porque os meus olhos não olham nem desejam nada proibido.
-Oh Deus, dou-te graças porque pela minha boca não saia dela palavra feia. 
-Oh Deus, dou-te graças porque o meu coração não encerra nada mau para o meu próximo, que é meu irmão”.

Ao concluir a oração, os homens ainda com cabeças inclinadas fizeram sinal da cruz.
-”Andem, ao trabalho meus filhitos”.
Depois do trabalho ao chegar a tarde regressaram à cabana para reunir-se com aquela a quem já todos chamavam ”Mamita”, para agradecer por terem terminado as tarefas. Logo partiram para os seus lares. No caminho para ”San Salvador, paravam nas casa ao longo do caminho para avisar que ”Mamita está na sua cabana para transmitir a doutrina cristã a todos”.
-Dessa maneira começaram a subir peregrinos ao ”Cerro de las Peñas, alguns junto com os seus familiares para ver e escutar as suas pregações. Assim iniciou-se as reuniões segundo Adolfo num sitio santo, porque desde o primeiro dia em que Ela apareceu como uma menina, foi toda essa montanha abençoada”.

As Pregações:
A notícia da chegada de ”Mamita à terra , correu como pólvora por toda a ilha, e pouco depois de terminada a cabana chegava de todos os lugares camponeses , ao cimo do monte para escutar as pregações. Por ordem de Nossa Mãe colocaram na varanda um quadro de Nossa Senhora do Monte Carmelo, e à maneira de bandeira, um pano azul com estrelas douradas flamejantes, muito similar à cor dos adornos da túnica de Nossa Senhora de Guadalupe.
As pregações aconteciam normalmente às quartas- feiras e às sextas-feiras, desde as seis da tarde. o chamado era feito por um ”fotuto”(concha em forma de caracol), ou por corno de boi, para que todos chegassem a horas.
As pregações da Nossa Mãe, feitas em tom sumamente respeitoso para os presentes em linguagem simples, cheia de expressões”puertoriquenhas”, girava à volta dos evangelhos, cujo o conteúdo não somente fazia referência de grande exactidão, como também detalhava a forma como se aplicavam à vida diária. Portanto enfatizava a importância de dedicar os filhos a Deus, de rezar, todas as horas em qualquer lugar e posição, primeiro a Deus e depois a Virgem Maria e aos Santos; rezar o Rosário, de não pecar, de se ajudarem uns aos outros, de dar ao necessitado, de se tratarem como irmãos e que a família se reunisse para comer, e assim se mantenha unida. Repetia muitas vezes os princípios do catecismo, para preparar os que ainda não tinham recebido os sacramentos.

Nossa Mãe encabeçou romarias até às Igrejas dos povos vizinhos, para que muitos fossem baptizados ou para que recebessem o Sacramento do Matrimónio.

Os nomes:
Uma vez que respondia ”Sou a Vossa Mãe”, cada vez que lhe perguntavam quem era, e quem indistintamente chamava ”filhos”, a todos os que se acercavam dela, muitos a chamavam ”Nuestra Madre” ou ”Mamita”. Muitos se referiam a Ela como a ”Virgem Maria”. Também houve pessoas que se referiam a Nossa Mãe, como ”A Santa” e muitos se referiam a Ela como ”Santa Maria”.Também havia quem lhe chamasse de cognomes Elenita de Jesus, Madre Elena, Mamita Helena, e Madre Helenita, em 02 de fevereiro de 1985, mediante uma declaração jurada feita perante a licenciada Felícia Perez de la Torre, ( uma advogada e notaria pública), Don Bernardo Del Valle, um dos discípulos ”Sanlorenzianos” de Nossa Mãe, assegurou que foi durante uma pregação em ”Caguas” que esta solicitou que lhe chamassem Elenita de Jesus.

image008Os poderes:
Durante a sua estadia na nossa terra, a Nossa Mãe deu mostra do seu poder sobre o movimento, o tempo, a natureza, a enfermidade, o sol, o som, a matéria, a gravidade e a malignidade, isto em presença dos seus discípulos, sacerdotes e de multidões que assistiam às suas pregações.
Entre os prodígios realizados pela Nossa Mãe, figuram a multiplicação dos alimentos, tornar o sabor de frutos sumamente amargos ou azedos em grande doçura. Transmutou-se várias vezes numa pomba, demonstrou ter um conhecimento avançado, e um controle inusitado sobre as leis que regem a mecânica quântica, uma vez que aparecia e desaparecia entre as pessoas como um raio de luz, realizou ocultação selectiva em três em três ocasiões, deteve o movimento do sol, separou as águas dos rios, para poder passar de uma margem a outra, levitou em um sem número de ocasiões e exerceu controle sobre a fauna, já que as suas pregações se davam ao começo do entardecer que é o momento em que os ”coquis” (rãs pequenitas ), começam o seu canto, e par conseguir o maior silêncio possível, a Nossa Mãe ordenava a estas pequeninas rãs para se calarem, e de imediato lhes obedeciam. Os pássaros  também cessavam de cantar ao seu mandato de modo que sua voz se projectasse ainda mais por toda a montanha. As testemunhas presenciais da sua obra, relataram que igualmente assombrosas foram as manifestações do seu poder sobrenatural, envolta do conhecimento dos nomes das pessoas que afluíam a escutá-la, uma vez que se dirigia a cada pessoa pelo seu nome, embora não estivesse estado anteriormente nas suas pregações, tendo ainda conhecimento dos pensamentos e acções dos seus ouvintes.As desaparição de Nossa Senhora, também eram comuns. Ela desvanecia-se quando todos acreditavam que estava na sua cabana, porem Ela reaparecia, para surpresa de todos  no pátio de outra casa a grande distância da fazenda.

O Bálsamo:

Com o passar dos anos, a nascente que a Nossa Mãe fez brotar de umas pedras secas para que o grupo de lenhadores construísse a sua casota esgotou-se, e os discípulos que viviam na fazenda imploraram-Lhe que intercedesse, para que tivessem uma nascente perto. a Nossa Mãe, novamente fez brotar água entre as pedras, desta vez na ladeira ocidental da Montanha Santa e chamou a esta água”Um Bálsamo par todos os filhos”. Também prometeu que a dita nascente nunca secaria.

Os Encerros

Em ocasiões, a Nossa Mãe desculpava-se com os seus discípulos durante as grandes festividades da Igreja Católica, explicando-lhes que tinha que ir ao Céu para as ditas ocasiões, e logo se recolhia na sua cabana por espaço de três dias. Os seus discípulos referiam-se a estas reclusões como ”encerros”.

Nas noites em que ocorriam estes encerros, um enorme resplendor saia da cabana na Nossa Mãe e esta luz podia observar-se a grande distância. Entretanto os seus fiéis guardiões não permitiam que nada se aproximasse da humilde cabana.

A Música

A Nossa Mãe exaltou a cultura, pela sua predilecção pelas canções de Natal puertoriquenhos, tocando instrumentos campestres, pelo Natal e em outras festas religiosas. Recrutou um pequeno grupo de músicos que tocavam flauta, o acordéon e instrumentos de percussão e de cordas, para acompanhar os que cantavam durante os Rosários e para fornecer música típica puertoriquenha durante as celebrações especiais.

O amor de Nossa Senhora pela música, proporcionou numa ocasião, oferecer uma harmónica a um discípulo que demonstrou ter habilidades musicais, e estando de visita no bairro ”Piedra Blanca” do município de ”Yabucoa” , revelou que ”no Céu também se canta”.

Identidade

Conforme o tempo trancorria, A Nossa Mãe foi revelando a sua identidade aos seus filhos ”puertoriquenhos”. Nas ocasiões em que se lhe perguntava quem era, afirmava que: ”Fui testemunha da morte de Jesus”, ”Sou a Mãe de todos os Homens”, ”Sou a Senhora de todos os Povos”, ”Sou a que sofreu muito quando Jesus morreu na Cruz”, e ”Sou a Rainha do Céu e da Terra”.
Assegurou ainda aos seus discípulos, que permaneceria sempre na Montanha Santa, ainda que alguns a vissem e outros só a sentissem, que apareceria perante muitos deles em forma de pomba, ou da ave que todos sabiam que era a sua favorita(o zumbadorcito puertoriquenho) e que a reconheceriam ao lado de Jesus Cristo no Juízo Final.

A primeira vez que a Nossa Mãe se manifestou como Nossa Senhora do Carmo, foi quando suspendeu uma das suas pregações na Montanha Santa, par dizer a um ouvinte(o primo do discípulo Juan Avelino Martinez que tinha comentado:”Helenita parece uma holandesita quando prega”) e que olhava fixamente a sua cara para determinar a sua verdadeira identidade. Ao fazê-lo, o homem caiu de joelhos, e a identificou como Virgem do Carmo insistindo que tinha visto a sua coroa e o resplendor que saia dela. Em momento algum corrigiu os que assim a chamavam.

Uns três anos antes de partir do solo ”puertoriquenho”, Nossa Senhora começou a suplicar aos seus discípulos que rogassem ao ”Papito Dios”(Paizinho Deus), para lhe permitir derramar o seu sangue na Montanha Santa, ”para o perdão de todos os pecadores, já que isso seria uma bênção especial par Puerto Rico”.

Outra vez, também se identificou como ”Nossa Mãe Redentora”, e utilizava uma ”gorrita” com as iniciais M e R separadas por uma cruz , gravadas na área frontal da sua gorrita. Em vista disso, também alguns dos seus discípulos se referiam a ela como ”Madre Redentora”.

A Partida

Durante o ano e meio , prévio da sua partida, a Nossa Mãe começou a preparar os seus discípulos mais próximos, para que pudessem enfrentar com serenidade o momento da despedida final.
Esta preparação, deu lugar à utilização frequente de expressões como : ”a necessidade de visitar outros lugares”, e de que ”não se iria da mesma forma que chegou”(à terra puertoriquenha”), ”porque se o fizesse assim, todos vós iriam ser presos”. Além disso a Nossa Mãe consolou os seus discípulos a respeito da sua partida, dizendo que simplesmente se daria ”um cambio”.

Uma tarde, a Nossa Mãe convocou os seus discípulos em frente à sua cabana, e informou-os de que não a veriam por um comprido período de tempo, pelo que todos concluíram que se dispunha a permanecer em outro dos seus ”encerros”. No entanto tratava-se do prelúdio do seu afastamento final.

Esse ”encerro” final que durou 40 dias, começou no sábado 21 de Agosto. Durante esse período de tempo, somente falou com Francisca Gomes Montes, uma do grupo de meninas que sempre a acompanhou. Ao redor do dia 22 de Setembro, a Nossa Mãe indicou a Francisca o que devia fazer com o seu sangue que derramaria, assim como, onde colocaria o seu corpo, e os candelabros para o velório, que devia durar três dia. Entretanto, o desaparecimento da Nossa Mãe chegou aos ouvidos das autoridades.

O chefe do quartel da polícia de ”San Lorenzo”, respondendo a informações dos vizinhos do lugar em volta do desaparecimento da Nossa Mãe, enviou dois agentes à ”Montanha Santa” com o encargo de verificarem se a Nossa Mãe, não tinha sofrido nenhum percalço.

Os agentes apresentaram-se na fazenda e, depois de verificarem que a Nossa Mãe não se encontrava nos arredores, ameaçaram os discípulos que se ela não aparecesse durante os próximos três dias, seriam encarcerados. Ao fim dos três dias os agentes apresentaram-se novamente, e nesse momento a Nossa Mãe reapareceu entre os discípulos assustados. Depois de saudar os agentes, e assegurá-los que estava ilesa, envio-os de regresso ao povo. Quando os policias se retiraram, a Nossa Mãe aproveitou o sucedido para sublinhar os seus motivos para não partir da mesma forma em que tinha chegado a ”Puerto Rico”.

Diz:-”Já vos tinha dito se não faço desta forma, todos os meus filhinhos amados iriam para o cárcere”.
Em seguida os informou que:”Quero estar só, durante os próximos três dias para preparar-me. Ao fim dos três dias, vão à cabana e olhem debaixo do meu quarto. Já não estarei aqui, mas não digam que eu morri, mas que fiz o meu ”cambio”. Ponham-me no caixão como me encontrem, com tudo, e o Rosário. Eu estarei preparada. Depois levem-me a enterrar no Cemitério de San Lorenzo”.

Perante os olhares dos camponeses compungidos, a Nossa Mãe entrou na sua cabana para permanecer ali os três dias restantes do seu último ”encerro”. Aos poucos os discípulos que permaneciam na fazenda fazendo-lhe companhia, escutavam-na a tocar o seu ”guiro” enquanto entoava uma canção que em parte dizia:-”Os meninos de peito choram, os pecadores se afligem, porque a nossa gente diz: adeus Mãe Redentora.”

Ao amanhecer de quarta-feira dia 29 de Setembro, dia em que se celebra a festividade de S. Miguel Arcanjo, o discípulo José Gonzáles, acendeu um braseiro para preparar café para os que tinham permanecido em vigília na montanha. Enquanto estava levando a cabo esta tarefa, González ouviu a voz da Nossa Mãe, pelo que imediatamente caiu de joelhos e rosto por terra.
Disse:-”Já dei ”o cambio” filhito, mas estarei convosco até ao último dia e os receberei gloriosamente no Céu”.

Ao levantar a vista, Gonzáles precaveu-se que a Nossa Mãe já tinha ido. De imediato disse o que tinha sucedido aos outros discípulos, pelo que todos pesaroso, se dirigiram à cabana de Mamita. Ao ver que saia sangue por entre as fendas do chão da cabana, formando uma poça  debaixo da estrutura, todos recordaram as palavras que ela pronunciou em varias ocasiões:”-Ditoso Puerto Rico se derramo aqui o Meu Sangue”.

Ao descobrirem o Sangue debaixo da cabana, os discípulos interpretaram este facto como um sinal de permissão para entrarem na vivenda. Ali encontraram o corpo da Nossa Mãe estendido no chão da sua habitação, e notaram que o mesmo já estava amortalhado com um balsamo que descreveram ”como lila”.

Uma vez um tanto restabelecidos os ânimos, um deles saiu da missão em busca da menina Francisca Gomes,para que, segundo o que tinha disposto a Nossa Mãe, se ocupasse do seu Corpo e do seu Sangue, junto com outras meninas. Entretanto, outros discípulos abandonavam A Montanha Santa em várias direcções, para correr a voz sobre o ”cambio” da Mamita, entre os residentes dos bairros próximos e também, para notificar as autoridades de San Lorenzo sobre sua partida.

Ao chegar à fazenda, o grupo de meninas encabeçado por Francisca, actuou conforme as instruções da Nossa Mãe, recolhendo o seu Sangue com uns panos brancos que foram colocados dentro de vários frascos de vidro, e que por sua vez foram enterrados perto da cabana.

Nessa tarde o juiz de San Lorenzo, Emílio Buitrago, subiu ao velatório na Montanha e por sua vez determinou por forma preliminar, que o ”cambio” de Nossa Mãe não tinha sido causado por mão maliciosa, e sentenciou que:-”O corpo da Mãe Elenita agora pertence aos anjos”.

Durante a madrugada de sexta-feira, primeiro de Outubro, as meninas de Nossa Mãe envolveram o seu corpo num lençol e colocaram-no dentro de um ataúde, para levarem o seu corpo para o cemitério de San Lourenzo.

Conforme a comitiva avançava pelo norte, atravessando os sectores entre a Montanha Santa e a Zona urbana do município, cada vez se uniam mais pessoas ao cortejo, que as autoridades calcularam em 20 mil almas
O padre Puras, pároco da Igreja de San Lorenzo, já preparado com o seu traje para o funeral, saiu ao encontro da comitiva e detendo-se junto ao ataúde exclamou:-”Se vocês soubessem que levam aí!”. De imediato, o sacerdote caiu de joelhos, pedindo perdão pelas ofensas que tinha cometido!!!
Ao entrar na Igreja, os discípulos que iam carregando o ataúde, asseguraram ao sacerdote que, conforme avançavam par San Lorenzo e conforme as horas iam passando, o peso do ataúde ia diminuindo, e que ao chegar ao povoado dava a impressão que estava vazio.

Ao concluir a missa de réquiem, a comitiva fúnebre continuou a sua marcha até ao seu destino final, o panteão da família Sallés no campo municipal, já que os membros da dita família acederam que a Nossa Mãe fosse enterrada ali.
Os que carregavam o caixão nesta última etapa da viagem, eram os discípulos varões da Fazenda, que se olhavam uns aos outros intrigados, devido ao pouco peso do ataúde, evidenciando que com toda a probabilidade se encontrava vazio. Os discípulos depositaram o  ataúde frente ao panteão, e com caras circunspectas ajudaram o coveiro a enterrar o caixão.
O povoado ainda estava repleto de gente e, apesar da roupa dos discípulos estar empapada pela chuva e sentindo-se sumamente cansados e esfomeados depois de 12 horas de peregrinação, sentiam que deviam voltar. E empreenderam o caminho de regresso à Montanha Santa. Ao chegar à Fazenda, os ânimos decaíram por instantes, depois de procurarem a Mamita por todos os lados (pois era o sentimento da sua presença ali que os tinha feito regressar), e não a encontrarem.
Adolfo Ruiz Medina trouxe um novo raio de esperança com estas palavras:-”Não procurámos na Penha Santa!”. Todos saíram na direcção da ladeira norte. E quando chegaram à rocha, os seus passos se detiveram. De pé, junto ao imenso penhasco, toda rodeada de Luz, estava esperando-os sorridentes a ”Sua Boa Ventura”.

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