Marta Robin, Serva do Senhor

marta_robin_1Marta Robin, nasceu à 13 de Março de 1902, em La Plaine, bairro das Moilles, Châteauneuf-de-Galaure (Drôme). Marthe-Louise Robin , filha de Michel Joseph e de Amélie Célestine Chosson. Em 1903 contrai a febre tifóide, cura-se mas a sua saúde fica frágil, vai para a escola em 1908, mas não consegue concluir os estudos devido a sua fragilidade, em 1915 deixa a escola, sem ter obtido o diploma, por estar doente no dia do exame. No verão de 1918 contrai a gripe espanhola que perdura até 1921.Faz alguns tratamentos mas sem melhoras visíveis no seu estado de saúde . No ano de 1925, a 15 de Outubro quando da Canonização de Teresa do Menino Jesus; Marta escreve um acto de abandono e entrega de Amor e à vontade de Deus.
Marta Robin, faleceu em 6 de Fevereiro de 1981, é pouco conhecida , no entanto, trata-se, talvez, da maior mística deste século. Marta apresenta-se em resumo como uma mística do abandono, imolação e missão sob a orientação de Maria, os seus apontamentos são do período de 1925 a 1932.
A espiritualidade de Marta Robin é muito semelhante à de Santa Teresinha do Menino Jesus, sendo que Marta sofria todas as semanas as dores da ”Paixão” do Senhor, alimentando-se longos anos apenas da Eucaristia, inspiradora e fundadora dos conhecidos ”Foyers Charité”, ou seja ”Lares de Caridade”, impulsionadora, no início, do Renovamento Carismático Católico, Marta Robin, edificou e transformou a vida de muitos cristãos que passaram junto do seu leito.
Marta Robin, mantinha com Maria um mistério de comunhão permanente, uma relação de amor absolutamente excepcional na história da Igreja. É a Virgem quem acolhia todos aqueles que visitaram Marta no seu pequeno quarto, onde sua filha amada se oferecia em sacrifício. Neste percurso do Calvário, Marta unida ao coração Doloroso de Maria, também sentiu que o seu era trespassado. Junto da Cruz, a Virgem Maria comungou em todos os sofrimentos do seu Filho Jesus, Marta incarnou este mistério mariano para, ressoou em Marta tanto a crueldade do pecado deste mundo, como a dor que jesus sentiu na Cruz. Marta Robin situa-se no coração deste mistério, em virtude desta relação privilegiada com a Virgem Maria, e o seu coração trespassado.
Colocaremos alguns estratos de seus escritos, alguns em êxtases, como vítima imolada, unida a Jesus e Maria sobre o Calvário. 

Acto de abandono, 15 de Outubro de 1925.

”Deus eterno, Amor infinito! Pedistes tudo à vossa pequena vítima; então, tomai, e recebei tudo… Neste dia de hoje, entrego-me e consagro-me a Vós, inteiramente e para sempre.
Ó muito amado da minha alma, meu querido Jesus…Só Vos quero a Vós… Por vosso Amor, renuncio a tudo!
Meu Deus, aceitai a minha memória e toda as suas recordações, aceitai o meu coração e todos os seus afectos. Aceitai a minha inteligência e todas as suas faculdades; fazei que sirvam apenas para vossa maior glória. Aceitai toda a minha vontade. Para sempre, quero submergi-la na vossa.
Já não o que eu quero, ó meu muito querido Jesus, mas sempre tudo o que vós quiserdes. Tomai-me…Recebei-me…Dirigi-me… Guiai-me! A Vós me entrego e me abandono! Entrego-me a Vós como uma pequena hóstia de amor, de louvor e de acção de graças, para glória do Vosso Nome, para alegria do Vosso Amor, para o triunfo do Vosso Sagrado Coração e para o perfeito cumprimento de todos os vossos desígnios em mim e à volta de mim.
Ó meu Deus, todo o meu pobre ser é Vosso! Fazei dele, suplico-Vos, a Vossa pequena humanidade de acréscimo…Toda Vossa…Toda para Vós…Toda por Vós… O Vosso céu de Amor na Terra. Que eu já não tenha pensamentos, vontades, desejos, interesses, alegrias e sofrimentos senão os Vossos. Destruí em mim tudo o que puder resistir-Vos, penalizar-Vos, desagradar-Vos…Consumi tudo no vosso imenso Amor, estabelecei tudo sob o vosso admirável poder!
Nada de mim… Nada de meu… Nada de nada…Só Vós, ó meu Jesus. Sempre nada, senão só Vós! Sede verdadeiramente a minha vida, o meu amor, o meu tudo!
Que eu possa dizer com toda a verdade: O meu ser é Jesus, a sua vontade, o seu Espírito, o Amor infinito, o Deus Bom, o Deus Santo que vive em mim e se manifesta em todas as suas obras.
Que toda a minha alegria aqui na terra seja dar a conhecer como sois bom, amar-Vos, imitar-Vos, oferecer-Vos tudo em nome e a favor de todas as criaturas.
Que a minha vida seja a reprodução perfeita e incessante da Vossa Vida, a manifestação do Vosso Amor e a continuação da de Maria, Virgem e Mártir.
Que tudo em mim manifeste o meu amor por Vós e que eu permaneça sempre pronta para o sacrifício.
Ó meu Salvador adorável! Sois o único Senhor da minha alma e de todo o meu ser! Recebei a imolação que, em cada dia e em cada instante, em silêncio, eu Vós ofereço. Dignai-Vos aceitá-la e fazê-la servir para o bem espiritual e divino de tantos milhões de corações que não Vos amam,para a conversão dos pecadores, para o regresso dos afastados e dos infiéis, para a santificação e o apostolado dos vossos muito amados sacerdotes e ainda a favor de todas as criaturas.
Ó Jesus, tomai o meu coração, todo o meu coração, que não pede e não deseja senão pertencer só a Vós! Guardai-o sempre junto do Vosso, guardai-o todo inteiro no Vosso, guardai-o sempre para o Vosso, para que não se entregue nem derrame em nenhuma criatura……..(Marta continua longa entrega e esvaziamento de si mesma para Deus, num abandono a Jesus, com Maria, sua Mãe).

marta22 de Janeiro de 1930.
”Meu Deus, sou a pobre servazinha da vossa Serva. Ela é minha Mãe, é a minha rainha. É a minha mestra; é o meu modelo; é a minha estrela; é o meu apoio; é a minha força e o meu refúgio. No seguimento dela e como ela, repito: ”Faça-se em mim segundo a vossa palavra”-”Fiat voluntas tua”. Vou para Aquele que me convida.
Senhor, meu Deus e meu tudo, que por vosso adorável  amor e pela Vossa Santa Graça, o meu coração unido ao Vosso Coração, seja cada vez mais humilde e mais paciente, o meu pensamento mais profundo, a minha vontade mais dócil perante a Vossa, a minha oração mais fervorosa, o meu amor mais sobrenatural, mais divino”.

 

04 de Março de 1930.
”Se há cristãos que julgam que a santidade é um estado especialmente reservado às  grandes almas, e mesmo só para algumas, é porque não a vêem em toda a sua simplicidade e límpida verdade. Não a vêem senão rodeada de obras extraordinárias, impossíveis ao comum dos mortais; muitas vezes também, confundem-na com as graças gratuitamente dadas, como as visões ou o dom dos milagres. Só imaginam os santos em êxtase, ou em cruz, ou ”inclinados sobre os mortos para os ressuscitar”. Que se possa viver com Deus numa união de puro amor é coisa que não lhes passa pela cabeça. Mas no entanto a verdadeira santidade consiste sobretudo na perfeita caridade. Ora esta perfeição pode ser alcançada por cada um, sem graças extraordinárias. sem dons de eleição, e mesmo sem obras extraordinárias, simplesmente sendo, como Santa Teresa do Menino Jesus, ”uma pequena alma”confiante e toda abandonada ao Amor, uma alma de oração e de meditação.
A Igreja mostra-nos, aliás, na simpática Teresa, um exemplo ilustre de grande, de muito grande santidade na mais simples das vidas”.

12 de Março de 1930.
”O espírito de infância espiritual é muito agradável ao Coração de Jesus. Ele trabalha sem alarde, da maneira mais simples e mais modesta, por meios inteiramente sobrenaturais, mas também muito tradicionais, para o triunfo universal da Igreja Católica e para a salvação das almas: o amor e a oração. É preciso sermos simples como Besnardette: se Deus tivesse encontrado uma alma mais pequena, mais fraca, provavelmente tê-la-ia escolhido. Olhemos para a SS.ma Virgem:foi mais a sua humildade do que a sua pureza sem mancha que lhe alcançou o ser Mãe de Deus. É isto que eu sou: uma alma muito pequena que tem por marca a simplicidade. E é isto o que quero: ”amar e fazer amar o Senhor” por todos aqueles que não têm como eu, a felicidade de O amar”.

17 de Janeiro de 1930.
”Como sofro, e em todo o meu ser!  Mas o amor fala mais forte, mais alto do que o sofrimento. Há mesmo mais alegria e mais paz na minha alma, nestes últimos tempos. Portanto, há mais força. Que paz, que suave e divina paz há em mim!
Meu Deus, amo-Vos. Ó Jesus, agradeço-Vos todas as alegrias, todas as emoções santas que no dia de hoje destes à minha alma. Esta manhã, pensei: oh! se conhecessem todos os mistérios do quarto de um doente, ninguém ousaria lamentá-lo, nem apiedar-se da sua sorte e até se invejaria a parte que lhe cabe…
Sou toda vossa, ó minha doce e querida Mãe, e tudo o que há em mim, tudo o que é meu, tudo o que sou, vos pertence, pois sou vossa filha. Ofereci tudo, ofereci-me a Jesus, meu Senhor e meu Deus”.

5 de Abril de 1930.
”Quando se tem Jesus vivi connosco, perto de nós, em nós, que temos a recear? A virtude, os actos mais difíceis, mais penosos, os sacrifícios mais dilacerantes, os sofrimentos mais cruéis, deixam de o ser quando temos Jesus junto de nós e para nós! Jesus é, para o coração, o Amigo que partilha tudo; para a alma é o Esposo que se encarrega de tudo, o Pai que vela por tudo e que faz tudo por nós.
Os Apóstolos não tiveram mais do que nós. A SS.ma Virgem não teve mais do que nós. É verdade que O via e O possuía de uma maneira inefável, mas o Jesus que era a sua alegria e o seu amor é também o nosso.
Ó minha Mãe, fazei de mim o que fizestes de tantas almas privilegiadas: uma alma eucarística, uma pequena hóstia para Jesus.
Ó Jesus, sois tudo para mim tudo em tudo, mas particularmente na Vossa agonia no jardim do Getsémani, no Vosso abandono no Calvário, no Vosso aniquilamento na Eucaristia.”

23 de Março 1934.
”Pai, tende piedade de todos os infelizes que não Vos conhecem a Vós nem a sua Mãe SS.ma; mostrai-lhes o horror do pecado, o erro das suas vidas, a inutilidade dos seus actos, mostrando-Vos a eles em toda a vossa misericórdia.
Ó muito amado Salvador, cheio de amor, único capaz de levar ao porto de salvação a barca do mundo, vinde em nosso auxílio. Senhor, tende piedade de nós. Não nos trateis segundo as nossas iniquidades.
Preservai-nos dos terríveis flagelos que se preparam para cair sobre a terra. Salvai-nos Senhor, da catástrofe inevitável.
Chamai as multidões ao Vosso Coração Misericordioso, chamai as crianças, os doentes, os humildes, vossos preferidos. Chamai os Vossos servos, chamai os Vossos sacerdotes, sobretudo os Vossos sacerdotes, ó Jesus, ao Amor infinito.
Chamai as famílias e todas as nações para junto do Vosso Calvário e para junto dos Vossos altares.
Não, meu Deus , não a morte, mas a conversão e salvação de todos.
Ó minha Mãe, recebei-nos a todos no vosso coração, onde Jesus chora.
Meu Deus, porque me abandonastes?
Meu Deus, venho até Vós. Que eu morra para salvar os pecadores.
Pai, nas Vossas mãos entrego a minha alma”.(15h.18-17h.20)

31 de Maio de 1935.
”Ó meu Deus, já não me quereis escutar e, no entanto, resgatastes estas almas com o Vosso próprio Sangue. Vós , que fizestes tanto por uma só alma, ides recusar salvar estas? Salvai-as, Jesus! Salvai-as! Sede bom! Sede misericordioso! Ó Jesus, não adieis mais! Porque esperais?
Derramastes sem medida todo o Vosso Sangue pelos pecadores e agora ireis medir a quantidade dos nossos pecados?… A quem, senão a Vós, poderemos recorrer?
Derramastes o Vosso Sangue por eles como por mim. E ireis salvar-me sem os salvar a eles? Não pode ser ,Senhor. Não, de forma alguma. Não me calarei até me atenderdes.
Senhor, salvai-nos! Dizei-me que o quereis. Ofereço-me em expiação por todos, mas especialmente por estes. Não quero recusar-Vos nada, mas não me recuseis isto…Dai-mos. Lembrai-Vos de que são vossos sacerdotes.
Não faço apelo à Vossa justiça, mas à Vossa misericórdia.
Por favor, meu Deus, ide ao encontro deles, abraçai-os contra o Vosso coração e vereis que eles hão-de compreender.
Sei que já fizestes muito para os impedir de cair, sei que multiplicastes os Vossos esforços para os conquistar, mas ainda não os chamastes Vossos filhos.
Fazei-o, meu Deus, dizei-lhes que os amais e o seu coração, endurecido pelo mal, logo se comoverá.
Bem sei, Jesus, que Vos ofenderam muito, mas eu não o terei feito mais ainda? E comigo usastes de tanta misericórdia…
Sinto que magoaram profundamente o Vosso coração, mas não Vos lembreis mais dos seus pecados e pensai apenas no Vosso Sangue derramado para os salvar.
Vós, que tiveste tamanha bondade para comigo, tende para com eles a mesma delicadeza de amor de que eu mesma fui objecto. Lembrai-Vos, ó Jesus, de que quero tudo para os salvar. Salvai-os, meu Deus, salvai-os!
Sei perfeitamente que uma pecadora como eu não merece que a escuteis, mas  está aqui a Vossa Mãe que intercede em favor deles. Ides dizer que não também à Vossa Mãe? Sei que não podeis. Senhor, escutai-a!…
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?
Meu Pai, nas Vossas mãos entrego a minha alma”.(14h.17-16h.28)

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