Mensagem de La Salete

24148691Apelo aos apóstolos dos últimos tempos:

”Eu dirijo um urgente apelo à terra; chamo os verdadeiros discípulos de Deus Vivo, que reina nos Céus; chamo os verdadeiros imitadores de Cristo feito homem, o único e verdadeiro salvador dos homens; chamo os meus filhos, os meus verdadeiros devotos, os que se deram a Mim, para que Eu os conduza ao meu filho, aqueles que Eu levo, por assim dizer, nos Meus braços; chamo os que viveram do Meu Espírito; chamo , enfim, os Apóstolos dos Últimos Tempos, os fiéis discípulos de Jesus Cristo, que viveram no desprezo do mundo e de si próprios, na pobreza e humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo. Já é hora que saiam e venham iluminar a Terra.
Ide e mostrai-vos como meus filhos queridos. Estou convosco e em vós, desde que a vossa fé seja a luz que vos ilumine nesses dias de infortúnio. Que o vosso zelo vos torne como que famintos da glória e da honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, vós pequeno número que ainda tendes vista; porque chegou o tempo dos tempos, o fim dos fins”. (Extracto do Segredo dado por Nossa Senhora de La Salette a Mélanie, em 19 de Setembro de 1846; ) 

Na montanha de La Salete nos Alpes Franceses perto de Grenoble, onde apareceu a Virgem Imaculada à dois pastores chamados Melanie Mathieu de 14 anos e Maximin Giraud de onze anos, que guardavam um rebanho.

No dia 18 de Setembro, véspera da Santa Aparição da Santíssima Virgem, eu estava sozinha, como de costume, a guardar as 4 vacas dos meus patrões. Pelas onze da manhã vi dirigir-se na minha direcção um rapazinho. Ao vê-lo temi porque me parecia que toda a gente devia saber que eu fugia a toda a espécie de companhias. Este rapazinho aproximou-se de mim e disse-me: “Menina, venho para ficar contigo. Eu sou também de Corps”.
Ao ouvir estas palavras bem depressa revelou-se a minha má tendência natural e dando alguns passos atrás disse-lhe: ” Não quero aqui ninguém, quero estas sozinha.” Afastei-me, mas o rapazinho segui-me dizendo: “Não, deixa-me ficar contigo. O meu patrão disse-me para vir guardar as minhas vacas com as tuas, eu sou de Corps.”
Eu afastei-me dele fazendo-lhe sinal que não queria ninguém. E depois de me ter afastado, sentei-me na relva e era aqui que costumava falar com as florinhas do bom Deus.

Um instante depois, olhei para trás e deparei-me com o rapazinho, Maximin, sentado ao pé de mim, disse-me logo : “Deixa-me ficar, que eu serei muito ajuizado.” Mas a minha tendência má não queria ouvir razões. Levantei-me precipitadamente e fui para mais longe sem lhe dizer nada, e pus-me a brincar com as flores do bom Deus. Passando um instante, lá estava outra vez Maximin a dizer que seria muito ajuizado, que não falaria, que se aborreceria de estar sozinho e que o seu Patrão o mandou para ao pé de mim, etc…
Desta vez tive pena fiz-lhe sinal para se sentar, e eu continuei a brincar com as flores do bom Deus. Maximin não tardou muito a romper o silêncio: pôs-se a rir (eu pensei que ele troçava de mim); eu olhei-o e ele disse-me: “Vamos brincar, vamos fazer um jogo”. Não lhe respondi nada porque eu era tão ignorante que não percebia nada de jogos com outras pessoas, pois sempre estive sozinha. Eu brincava sozinha com as flores, e Maximin, aproximando de mim só dizia, rindo, que as flores não tinham orelhas para me ouvir e que nós devíamos jogar os dois.
Mas eu não tinha qualquer inclinação para o jogo que ele me dizia para fazermos. Todavia pus-me a falar com ele e ele disse-me que os dez dias que deveria passar com o seu patrão iam terminar em breve e que depois iria para casa do pai, em Corps, etc.
Enquanto ele falava, o sino de La Salete tocou. Era o Angelus. Fiz o sinal a Maximin para elevar a sua alma a Deus. Ele descobriu a cabeça e manteve-se em silêncio durante momentos. Depois disse-lhe: ” Queres almoçar?”. “Sim!” – disse-me. “Vamos”.
Sentámo-nos, tirei do saco as provisões que me tinham dado os meus patrões e, segundo o meu hábito, antes de começar a comer o meu pãozinho redondo, com a ponta da faca fiz uma cruz sobre o pão e no meio um buraco dizendo: “Se o diabo está aqui, que saia, e se o Bom Deus está aqui, que fique”, e muito depressa com toda a rapidez cobri o pequeno orifício. Maximin começou a rir-se a bandeiras despregadas e deu um pontapé no meu pão, que se escapou das minhas mãos, rolou pela montanha e se perdeu.
Eu tinha outro bocado de pão e nós comê-mo-lo juntos; depois brincámos a um jogo; depois, percebendo que o Maxim devia ter necessidade de comer, indiquei-lhe um lugar da montanha cheio de frutos pequenos. Incitei-o a ir e a comer, o que ele fez imediatamente. Comeu e trouxe o chapéu cheio deles. À noite descemos ambos da montanha, e prometemos-nos vir guardar as nossas vacas juntos.
A França nessa altura estava sobrevivendo a sua grande Revolução mas gradualmente a vida fora esmagada pelo engrandecimento Político, da ganancia da avareza e de outros requisitos negativos que contribuiriam para a  destruição da vida familiar francesa. A graciosidade e a dignidade do respeito mutuo, a dedicação e a tolerância no amor transformaram-se progressivamente em indiferença, comodismo e indolência.

No dia 19 de Setembro de 1846, encontrei-me com Maximin no caminho. Subimos a montanha e achei que Maximin era muito bom, muito simples, e que de boa vontade falava daquilo que eu queria falar. Era também muito dócil, não ficando muito apegado às suas convicções. Só era um pouco curioso, porque quando me afastava dele, logo que me via parada, corria para ao pé de mim para ver o que eu fazia e ouvir o que eu dizia às florinhas do bom Deus. E se não conseguia chegar a tempo, perguntava-me o que eu tinha dito. Maximin pediu-me para lhe ensinar um jogo. A manhã estava avançada: eu disse-lhe para colher flores para fazer o “Paraíso”.
Pusemos-nos ambos a trabalhar. depressa reunimos uma boa quantidade de flores de diversas cores. O Angelus do sino da aldeia fez-se ouvir porque estava bom tempo e não havia nuvens. Depois de ter dito ao bom Deus aquilo que sabíamos, disse a Maximin que devíamos conduzir as nossas vacas ao lugar designado e depois tomamos uma pequena refeição. Depois disto pusemos-nos a trazer pedras e a construir a nossa casinha, que consistia num rés do chão, que fazia de conta que era onde habitávamos, e de um andar por cima que era como dizíamos o paraíso. Este andar estava enfeitado com flores de diferentes cores. Este “Paraíso” estava coberto por uma única laje, que tínhamos coberto de flores. Contemplamos o “Paraíso” e deu-nos sono, afastámos-nos dele uns dois passos e adormecemos sobre a relva.

Our_Lady_of_La_SaletteA Visão

Tendo acordado e não vendo as minhas vacas, chamei Maximin e subi o pequeno monte. Daí vendo que as vacas estavam deitadas tranquilamente, e voltei a descer e Maximin subia, quando subitamente vi uma bela luz mais brilhante que o sol, e quase nem tive tempo para dizer estas palavras: – “Maximin, vês aquilo lá em baixo? Ah! Oh, meu Deus!” Ao mesmo tempo deixei cair o bordão que tinha na mão. Não sei o que se passava em mim de delicioso neste momento, mas sentia-me atraída, e invadida por um respeito cheio de amor, e o meu coração desejaria correr mais depressa que eu para lá.
Eu olhei bem em frente e intensamente para esta luz que estava imóvel, e ela como que se abriu e vi uma outra luz muito mais brilhante e que se movia. No meio dessa luz vi uma belíssima senhora que estava sentada em cima do nosso “Paraíso”, com a face apoiada nas mãos.
As crianças aproximaram-se o mais que se atreveram. Em seguida ouviram a linda senhora chamar por eles: ” Vinde a mim meus queridos filhos. Não tenhais medo. Vim para vos dizer algo muito importante”.

Estas suaves e doces palavras fizeram-me como que voar para ela e o meu coração quereria unir-se ao seu para sempre.
As crianças descreveram a Senhora como muito Bela e extremamente triste, usava um vestido branco luminoso cravado de pérolas e um avental dourado. Trazia uma grinalda de rosas em volta do seu manto e coroa ,e nas pontas dos seus pés estavam decoradas com rosas. Um colar estranho segundo Melanie no pescoço, no qual estava pendurado um crucifíxo ladeado por um martelo e uma turquês.

Tendo chegado muito perto  da Bela Senhora, diante dela, à direito, ela começou a falar e as lágrimas começaram também a correr dos seus formosos olhos e nos disse:

”Queridos filhinhos, Eu intercedo constantemente em vosso favor junto de meu Filho. Não quereis vós ouvir a voz de vossa Mãe? O meu coração de Mãe esvai-se em sangue por todos vós. Eu amo-vos tanto! Não provoqueis mais sofrimento a vós próprios.
Queridos filhinhos, voltai-vos para Deus. Só em Deus podeis conhecer a paz, a alegria e o amor. Só em Deus, com Deus e na Sua ordenação pode a felicidade ser atingida. Deus concedeu-vos seis dias para o trabalho, mas vós trabalhais sete. Muitas pessoas dizem palavrões. Essas pessoas ofendem o nome de Deus. Estou aqui para vos avisar que vem aí uma grande vaga de fome. Nada pode crescer sem a bênção de Deus. Se a colheita se estragar, notem bem que a vossa culpa é a causa disto. A justiça de Deus é o amor. Ele permitirá aos adultos repararem os seus pecados através da fome. As crianças com menos de sete anos serão tomadas por uma doença repentina e morrerão em suas casas.
Se o povo de Deus acordar para a Sua presença e os seus desígnios, então as pedras transformar-se-ão em fardos de trigo e as batatas semear-se-ão sozinhas, deveis dizer as vossas preces, meus filhinhos, tanto ao acordar como ao deitar. Rezai mais. Rezai pelo menos um Pai-Nosso e uma Ave-Maria por dia, se não puderdes rezar mais. Não devoreis a comida como cães famintos. Fazei jejum e praticai a abstinência pelo amor a Deus, e para que Ele vos dê saúde. Façai com que toda a gente no mundo conheça as minhas palavras.
_ Se o  meu povo não se quiser submeter, serei forçada a deixar cair a mão de meu Filho. Ela é tão forte e tão pesada, que eu já não posso mais segurá-la, Há já muito que sofro por vós! Para que meu Filho não vos abandone, eu estou encarregada de Lhe orar incessantemente.
E vós não fazeis caso. Por mais que rezeis, por mais que rezeis, por mais que pratiqueis o bem, jamais podereis pagar o sofrimento que tomei por vós. Eu dei-vos seis dias para trabalhar, mas reservei-me o sétimo, e vós não mo quereis conceder. É o que torna tão pesado o braço do Meu Filho.
Os que conduzem as carroças não sabem falar sem meter o Nome de meu Filho no meio das conversas. São as duas coisas que tornam pesado o braço do meu Filho. Se a colheita se estraga, a culpa é vossa. O ano passado fiz com que vísseis isso com as batatas; não fizestes caso. Ao contrário, quando víeis que estavam estragadas, praguejáveis e o Nome de Meu Filho era dito pelo meio.
Elas vão continuar a estragar-se, e pelo Natal não tereis batatas. ( Neste ponto eu tentei interpretar a palavra ”pommes de terre”; pensava que se tratava de maçãs. Mas a Bela Senhora adivinhou o meu pensamento e continuou assim):
Não compreendeis, meus filhos? Vou então falar de outro modo: ( e a Senhora continuou o discurso no dialecto daquela região em Patois).
Se tiverdes trigo, não semeeis. Tudo o que semeardes será comido pelos animais, e o que ficar converter-se-á em poeira quando o malhardes. Virá uma grande fome.
Antes de vir a fome, as crianças com menos de sete anos, adoecerão com umas tremuras e morrerão nas mãos de quem as leve. As outras pessoas farão penitência pela fome. As nozes não prestarão e as uvas apodrecerão.

Aqui, a bela senhora que me cativava, esteve um momento sem fazer ouvir a sua voz. Eu via, contudo, que ela falava, porque movia graciosamente os seus amáveis lábios. Maximin recebia então o Segredo. Depois dirigiu-se a mim, a Santíssima Virgem falou-se e deu-me um segredo em francês. Esse segredo, ei-lo aqui completo tal qual ela mo deu.

la_salette4O segredo

Melanie, o que e te vou dizer agora não será um segredo para sempre. Tu podes publica-lo em 1858.
Alguns padres e pregadores da palavra do meu Filho tornar-se-ão antros de impureza, pelo modo pernicioso e irreverente com que levam as suas vidas, pelo modo impiedoso como celebram os mistérios divinos, pelo seu amor ao dinheiro, às honrarias e aos prazeres… Desventurados sejam aqueles que se dizem dedicados a Deus e que, por obra da sua falta de fé e das suas vidas perniciosas, assim crucificam de novo o meu Filho. Os pecados desses que estão ao serviço de Deus gritam bem alto em direção aos Céus e chamam a vingança, pois não resta mais ninguém para implorar misericórdia e perdão pelo povo. Não resta nem mais uma alma generosa, nem ninguém com dignidade suficiente para oferecer um sacrifício puro ao Deus Eterno pelo amor ao mundo.
Em 1864, Lúcifer, em conjunto com um grande número de demónios, serão solto do inferno; aos poucos, destruirão a fé, mesmo a daqueles que são devotos a Deus. Eles cegá-los-ão de tal maneira que, se não forem abençoados com uma graça especial, tomarão o espírito dos anjos do inferno; várias instituições religiosas perderão toda a sua fé e também muitas almas serão perdidas.
Os livros maléficos abundarão na Terra e os espíritos da sombra espalhar-se-ão por toda a parte – um desligamento universal de tudo o que é servir a Deus…
O Vigário do meu Filho sofrerá bastante, porque a Igreja render-se-á durante uns tempos à perseguição em massa; tempos sem dúvida, sombrios em que a Igreja testemunhará uma época de crise aterrorizante.
Quando a verdadeira fé do Senhor cair em esquecimento, cada indivíduo quererá singrar sozinho, tentando superiorizar-se a qualquer ser com o qual se identifique. Os direitos civis e eclesiásticos deixarão de existir, ordem e justiça serão atropeladas e espezinhadas, e só se verá assassinatos, ódio, inveja, mentira e discórdia entre o se humano, desprovido de amor pelo País ou pela família.
O Santo Padre sofrerá bastante. Eu estarei a seu lado até o fim e receberei o seu sacrifício. Homens malvados atentarão várias vezes contra a sua vida, para fazer mal e abreviar os seus dias, mas nem ele nem o seu sucessor verão o triunfo da Igreja de Deus.
Todos os governos terão um único plano, o qual consistirá em abolir e fazer desaparecer todos os princípios religiosos, abrindo caminho para o materialismo, ateísmo, espiritualismo e todas as formas de vícios. Várias cidades serão sacudidas e engolidas por tremores de Terra. As pessoas irão ser levadas a pensar que tudo está perdido. Não se verá nada mais do que a morte, nada mais será ouvido senão o estardalhaço das armas e das blasfémias. Os justos sofrerão muito. As suas preces, as suas penitências e as suas lágrimas subirão ao Céu e todo o povo de Deus suplicará por perdão e misericórdia, e chamar-me-á em seu auxílio e intercessão. Então Jesus Cristo, num acto de justiça e de grande misericórdia, enviará os Seus anjos que trarão a morte a todos os seus inimigos na Terra. De um só golpe, todos os perseguidores da Igreja de Jesus Cristo e todos os que se tenham entregue ao pecado morrerão, e a Terra ficará deserta. É então que se fará paz, e o Homem reconciliar-se-á com Deus. Jesus Cristo será servido, adorado e glorificado. A caridade florescerá em toda a parte. O evangelho será apregoado em todo o lado e a fé da humanidade fará grandes progressos, pois haverá união entre os obreiros de Jesus Cristo e o Homem viverá no temor a Deus.”

la-salette2Depois disso a Virgem deu-me, também em francês, a regra de uma nova ordem religiosa. Depois de me ter dado a regra dessa nova ordem religiosa, a Santíssima Virgem continuo assim o seu discurso, “Se eles se convertessem, as pedras e as rochas converte-se-iam em trigo e as batatas encontrar-se-iam semeadas pela Terra. Fazeis bem a vossa oração, meus filhos? Nós respondemos ambos, “Oh, não minha senhora, não muito.” “Ah! meus filhos, é preciso fazê-la bem, à noite e pela manhã. Quando não puderdes fazer melhor, dizei um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e quando tiverdes tempo, e quando puderdes, fazei melhor. rezareis mais.
À missa não vão mais que algumas mulheres idosas; as outras trabalham ao domingo durante o Verão. E, no inverno, quando não sabem o que hão de fazer, só vão à missa para fazerem troça da religião. Na Quaresma, vão ao talho, como os cães. Não vistes o trigo estragado, meus filhos?
Respondemos ambos: Oh! Não senhora!
A Virgem dirigiu-se a Maximin: Mas tu, meu filho, tu deves ter visto isso bem, uma vez, para os lados de Coin, com o teu pai. O homem da quinta disse a teu pai: “Vinde ver como o trigo se estraga”! E vós fostes. O teu pai agarrou duas ou três espigas na mão, esfregou-as e elas tornaram-se pó. Depois, no regresso, quando estáveis a menos de meia hora de Corps, o teu pai deu-te um bocado de Pão e disse-te: “Toma, filho, come este ano, porque eu não sei quem comerá no ano que vem se o trigo se estragar como aquele”.
Maximin respondeu: “É verdade, Senhora, eu não me lembrava.
Pois bem, meus filhos, dai-o a conhecer a todo o meu povo.
A bela Senhora atravessou o regato sem se voltar para nós que a seguíamos. Depois ela continuou a andar até ao lugar onde eu tinha subido para ver onde estavam as nossas vacas. Os seus pés só tocavam a ponta da relva, sem a fazer dobrar-se. Ao chegar ao cimo deste pequeno montículo a bela Senhora parou, e eu pus-me rapidamente na sua frente, para a contemplar bem e para tentar descobrir o caminho que ela ia escolher. Eu tinha-me ligado para sempre sem condições à minha Senhora; sim, eu não queria separar-me dela nunca; com a disposição de a servir enquanto durasse a minha vida.
Ela me olhava com uma terna bondade que me atraia. Eu quereria, de olhos fechados atirar-me para os seus braços. Ela não me deu tempo de eu fazer. Elevou-se insensivelmente da Terra à altura de cerca de um metro e pouco e ficou assim suspendida no ar um instante. A minha bela senhora olhou o Céu, depois a Terra à direita e à esquerda, depois olhou-me com olhos tão doces, tão amáveis e tão bons, que me parecia que ela me atraía ao seu interior e que o meu coração se abria ao seu. A bela figura da minha Senhora desapareceu pouco a pouco. Parecia-me que a luz em movimento se multiplicava, ou melhor se condensava à volta da Santíssima Virgem, para me impedir de a ver mais tempo. Deste modo a luz tomava o lugar das partes do corpo que ia desaparecendo diante dos meus olhos.
Quando os meus olhos deixaram de fitar o Céu olhei à minha volta, e vi Maximin que olhava para mim. Disse-lhe: “Mémin, isto deve ter sido o bom Deus de meu pai, ou a Santíssima Virgem, ou alguma grande Santa”. E Maximin, pondo a mão no ar, exclamou: “Ah! se eu tivesse sabido”.

No lugar da aparição, uma bonita Basílica dá agora as boas vindas aos peregrinos que vão a La Salete. A controvérsia cresceu em volta dos segredos de La Salete e existem muitas interpretações mas isso não diminuiu o interesse pelo Segredo, eles continuam a induzir-nos no sentido do alerta da prece, da obediência à vontade de Deus.

 

Carta de Mélanie a sua mãe
Em 19 de Julho de 1870,  alguns acontecimentos políticos, nomeadamente a declaração de guerra de Napoleão e segundo a mensagem que recebeu , Mélanie escreve a sua mãe uma carta, em 11 de Setembro de 1870, que diz :

”Minha querida e bem amada mãe, que Jesus esteja em todos os corações!
Esta carta não é somente para a mãe, mas também para todos os habitantes de Corps e arredores.
Vendo que os seus filhos esqueciam os seus deveres, que desprezavam a lei que Deus lhes dera, que se tornavam ingratos, o Senhor resolveu castigá-los severamente. A Esposa do Pai de família pediu graça e, ao mesmo tempo, dirigiu-se a dois dos filhos mais jovens do pai de família, isto é, aos dois mais fracos, mais ignorantes de toda a família.
A Esposa, que não pode chorar na casa do seu Esposo, que é o Céu, deixa ver, nos campos dos seus filhos miseráveis, lágrimas abundantes: fala dos seus desgostos e das suas ameaças; porque eles não se convertem, não abraçam a via da piedade e não observam a lei do Divino Mestre; um pequeno, pequeníssimo número abraça a conversão do coração e adere à Santa lei do Pai de família; mas é incrível! A maioria fica no crime e mergulha ainda mais nele. Então, o Pai de família envia castigos para os punir e abrandas a sua dureza. (…)

Perceberam, querida mãe e queridos habitantes de Corps? O Pai de família é Deus. Nós somos os filhos. Nem vós O amámos como devíamos: não observámos os seus Mandamentos como deve ser: Agora Deus castiga-nos. Agora um grande número dos nossos soldados morre, um grande número de famílias e de cidades estão reduzidas à miséria; e isto não vai acabar se não nos virarmos para Deus. Paris é culpada, e bem culpada, porque recompensou um homem mau que escreveu contra a divindade de Jesus Cristo (o ímpio Renan). Os homens só têm tempo para se entregarem ao pecado, mas Deus, que é eterno, castiga os maus. (…)

É preciso: 1º-Que a França reconheça que esta guerra é unicamente efeito da mão de Deus;
2º-Que se humilhe; e 3º- Que peça sentidamente o cumprimento dos Mandamentos sem respeito humanos. Há pessoas que rezam e pedem ao bom Deus sucesso para os nossos soldados franceses.
A Santíssima Virgem veio a França…e a França não se converteu. Ela é mais culpada do que as outras nações. Não se humilha diante do bom Deus, será muitíssimo humilhada. E Paris, centro da vaidade e de orgulho, quem é que poderá impedir os perigos que pendem sobre ela se não houver quem dirija orações fervorosas que cheguem ao coração do Divino Mestre?  (…)

Sim, rezemos, rezemos, fazei as vossas procissões como as fizestes no ano de 1846-1847.

Acreditai que Deus vos escutará. Ele escuta sempre. Rezemos muito. Nunca gostei de Napoleão, porque tenho presente toda a história. Que o Divino Salvador lhe possa perdoar todo o mal que ele fez e que ainda vai fazer. Lembremos-nos que fomos criados para amar e servir a Deus e que tudo o que esteja fora disso não conduz a qualquer espécie de felicidade verdadeira. Que as mães eduquem os seus filhos cristã-mente, porque o tempo das tribulações ainda não terminou. Se vos descrevesse a quantidade e o tipo das que estão para vir, ficaríeis apavorados; mas não vos quero aterrorizar. Tende confiança que Deus vos ama e vos ama a todos.
Rezemos, rezemos! E a doce, a bondosa e terna Maria estará sempre connosco. A oração desarma a cólera de Deus; a oração é a chave do Paraíso.
Rezemos pelos nossos soldados; rezemos por todas as mães desoladas pela perda dos seus filhos e consagremos-nos à nossa Santa Mãe do Céu.
Rezemos pelos cegos que não vêem que é a mão de Deus que persegue a França neste momento.Rezemos muito e façamos penitência. Recomendo-vos que vos mantenhais unidos à Santa Virgem e ao nosso Santo Padre, o Papa, que é o Chefe visível da Igreja de Jesus Cristo sobre a Terra.
Nas vossas procissões, nas vossas penitências, rezai sobretudo por ele. Enfim, mantende-vos na paz. Amai-vos como irmãos. Não vos envolvais em nada relacionado com as ideologias da República. Pedi ao bom Deus um rei católico e prometei-lhe que ireis cumprir os Mandamentos. Cumpri-os à letra e santamente. Assim fazendo, tenho confiança que pela misericórdia divina sereis felizes e tereis uma boa e santa morte, que é o que vos desejo a todos, colocando-vos sob a protecção da Augusta e Santa Maria. Minha querida Mãe, deixo-a nos Santos corações de Jesus e de Maria, e abraço-a com muita ternura.”

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