Lúcia pede a Consagração da Rússia

Lucia_Dos_SantosCARTA DA  LÚCIA, AO SANTÍSSIMO PADRE:

Esforços de Lúcia para que a Consagração do mundo e da Rússia seja feita. Por volta de 1940, intuindo a aproximação, da segunda guerra mundial, a Irmã Lúcia, embora lhe custe muito, por ordem do Senhor Bispo de Leria, escreveu ao Santo Padre, o Papa Pio XII, para lhe expor o pedido de Nossa Senhora. Vamos escrever algumas passagens do seu livro biográfico, Um caminho sob o olhar de Maria.

Santíssimo Padre

Em 1929, Nossa Senhora, por meio doutra aparição, pediu a consagração da Rússia a Seu Imaculado Coração, prometendo por este meio impedir a propagação de seus erros e a conversão.
Algum tempo depois dei conta ao confessor, do pedido de Nossa Senhora, Sua Rev.cia empregou alguns meios para que se realizasse, fazendo-o chegar ao conhecimento de Sua Santidade Pio XI. Em várias comunicações íntimas, Nosso Senhor não tem deixado de insistir neste pedido, prometendo ultimamente, se Vossa Santidade se digna fazer a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria com menção especial pela Rússia e ordenar que em união com Vossa Santidade e ao mesmo tempo, o façam também todos os Bispos do mundo, abreviar os dias de tribulação com que tem determinado punir as nações de seus crimes da guerra, da fome, e de várias perseguições à Santa Igreja e a Vossa Santidade.

Sinto verdadeiramente Santíssimo Padre, os sofrimentos de Vossa Santidade e quanto me é possível, com minhas pobres orações e sacrifícios procuro minorá-los junto de nosso bom Deus e do Imaculado Coração de Maria.
Santíssimo Padre, se é que na união da minha alma com Deus, não sou enganada, Nosso Senhor promete em atenção à consagração que os Ex.mos Prelados Portugueses fizeram da Nação ao Imaculado Coração de Maria, uma protecção especial à nossa Pátria durante esta guerra, e que esta protecção será a prova das graças que concederia ás outras nações se como elas se lhe tivessem consagrado.

A promessa cumpriu-se. Portugal foi poupado ao flagelo da guerra.
Seria muito extenso mencionar todas as vezes que na sua correspondência, a Irmã Lúcia toca neste tema. Era um espinho que a mortificava, por saber quanto sofrimento se poderia evitar, se o pedido do Céu fosse atendido….

Em 1982, no seu encontro privado com o Papa João Paulo II,no dia 13 de Maio em Fátima, prevendo que o colóquio não poderia ser muito longo, entregou a Sua Santidade uma carta, na qual renovava o pedido da Mãe, dizendo:

A Sua Santidade João Paulo II humildemente exponho e suplico:

A consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria em união com todos os Bispos do mundo. De modo que, esta consagração seja um laço de união de todos os membros do Corpo místico de Cristo, que, com Maria Mãe de Cristo e Mãe Nossa, se oferecem ao Senhor para completar a obra da Redenção do Mundo. E quanto possível, que todos os cristãos e mesmo os não católicos, e até os não cristãos que queiram unir-se a este acto de plena consagração e entrega ao Senhor, unidos ao Coração Imaculado de Maria.

É como compreendi que devia ser feita esta consagração, à imitação de Cristo quando disse ao Pai:”Consagro-me por eles para que também eles sejam consagrados”, na verdade, na justiça e no amor, unidos na mesma fé, na mesma esperança e no mesmo amor.

A terceira parte do segredo: – Refere-se às palavras de Nossa Senhora: “Se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.(13-VII-1917)
A terceira parte do segredo, que tanto ansiais por conhecer, é uma revelação simbólica, que se refere a este trecho da Mensagem, condicionado, a se sim ou se não, nós aceitamos ou não o que a mensagem nos pede: «Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, etc.»

Porque, não temos atendido a este apelo da mensagem, verificamos que ela se tem cumprido. A Rússia foi invadindo o mundo com seus erros. E se não vemos ainda, o facto consumado do final da profecia, vemos que para aí, caminhamos a passos largos. Se não recuamos no caminho do pecado, do ódio, da vingança, da injustiça, atropelando os direitos da pessoa humana, da imoralidade e da violência etc.

E não digamos que é Deus, que assim nos castiga, mais sim, que são os homens que para si mesmos se preparam o castigo. Deus, apenas nos adverte e chama ao bom caminho, respeitando a liberdade que nos deu; por isso, os homens são responsáveis.

Será que a Consagração do mundo, conforme Nossa Senhora a pediu, está feita?
Na sua visita a Fátima em 1982, o Santo Padre fez a consagração, mas ainda não foi conforme ao pedido de Nossa Senhora. Nesse mesmo ano, visitou a Irmã Lúcia o Senhor Núncio Apostólico Sante Portalupi. Falando com ela em particular, a Irmã Lúcia informou-o que a Consagração, tal como a Nossa Senhora pedira, ainda não estava feita. Sua Ex.cia Rev.ma transmitiu ao Santo Padre essa informação e no dia 25 de Março de 1984, Sua Santidade o Papa João Paulo II, diante da imagem da Nossa Senhora de Fátima que se venera na Capelinha das Aparições, mandada levar ao Vaticano para essa circunstância, satisfez o pedido que Nossa Senhora tinha feito havia 55 anos! Em Agosto de 1989, a Irmã Lúcia esclarece numa carta uma dúvida ainda existente:

– A Consagração do mundo, conforme Nossa Senhora a pediu, está feita?
Em 31-X-1942, fê-la Sua Santidade Pio XII: Perguntaram-me, depois, se estava feita tal como Nossa Senhora a pediu; Eu respondi que não, porque lhe faltava a união com todos os Bispos do mundo.
Fê-la depois Sua Santidade Paulo VI, A 13-V-1982. Perguntaram-me se estava feita tal como Nossa Senhora a pediu. Respondi que não: pelo mesmo motivo, faltava-lhe a união com todos os Bispos do mundo.
Fê-la Sua Santidade João Paulo II, a 13-V-1982. Perguntaram-me depois, se estava feita. Respondi que não. Faltava-lhe a união com todos os Bispos do mundo.

Então, este mesmo Sumo Pontífice João Paulo II escreveu a todos os Bispos do mundo pedindo que se unissem a Ele, mandou ir a Imagem de Nossa Senhora de Fátima- a da Capelinha- a Roma, e no dia 25-III-1984- publicamente- em união com os Bispos que sua Santidade se quiserem unir- fez a Consagração tal como Nossa Senhora a pediu. Perguntaram-me, depois, se estava feita tal como Nossa Senhora a pediu, e eu disse que sim. Desde aí, está feita.
E porquê esta exigência de Deus a que esta consagração fosse feita em união com todos os Bispos do mundo? Porque esta Consagração é uma chamada à união de todos os cristãos- Corpo místico de Cristo- cuja cabeça é o Papa, único verdadeiro representante de Cristo na terra, a quem o Senhor confiou as chaves do Reino dos Céus. E desta união depende a Fé no mundo, e a Caridade que é o laço que a todos nos deve unir em Cristo, como Ele o pediu ao Pai: “Como Tu ó Pai estais em Mim e Eu em Ti, que também eles estejam em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste… Eu neles e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que Tu Me enviaste e os amaste, como Me amaste a Mim (Jo XVII-21/23).

Como vemos, da união depende a Fé e a Caridade que deve ser o laço da nossa união em Cristo, cujo verdadeiro representante na Terra é o Papa. (Carta de 29 de Agosto de 1989).

Algum tempo depois desta Consagração, numa conversa com o Padre Luís Kondor, à Irmã Lúcia respondeu assim: foi feita, mas já foi tarde! Depois este Sacerdote perguntou-lhe que sinal se veria da aceitação de Deus da Consagração feita e do cumprimento da promessa. Ela respondeu: Olhem para Leste. A resposta viu-se!

No seu último escrito, a Irmã Lúcia mostra-nos como se viu a resposta do Céu:
-Esta consagração foi feita pelo Santo Padre João Paulo II, em Roma, publicamente, no dia 25 de Março de 1984, diante da imagem de Nossa Senhora, que se venera na Capelinha das Aparições na Cova da Iria, Fátima, que o Santo Padre depois de ter escrito a todos os Bispos do mundo,pedindo que se unissem a sua Santidade neste acto de consagração que ia fazer mandou levar a Roma propositadamente, para marcar bem, que a Consagração que ia fazer diante desta imagem, era a pedida por Nossa Senhora em Fátima.

Bem conhecido é de todos, que se estava num dos momentos mais críticos da história da Humanidade, em que as grandes potências, hostis entre si, projectavam, preparando-se para uma guerra nuclear atómica, que viria a destruir o mundo, se não em todo, na maior parte, e o que ficasse, com que possibilidades de sobrevivência? E quem seria capaz de demover esses homens a cambiar tudo isto para o contrário? A pedir um encontro para dar-se um abraço de paz? A mudar os seus projectos de guerra em projectos de paz? De injustiças agressivas e violentas, em projectos de auxílio e ajuda, reconhecendo os direitos da pessoa humana abolindo a escravatura, etc.?

Quem, se não Deus, foi capaz de actuar nessas inteligências, nessas vontades, nessas consciências, de modo a levá-las a um tal câmbio, sem medo, sem receio de revoltas contrárias? Dos seus e dos estrangeiros? Só a força de Deus, que actuou em todos, levando-os a aceitar em paz, sem revoltas, sem oposições, sem condições.

QUEM COMO DEUS?

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