A Santa Túnica

Percurso da Túnica Milagrosa

Quando crucificaram Jesus, os soldados repartiram as suas vestes em quatro partes, uma parte para cada soldado. Deixaram de lado a túnica. Era uma túnica sem costura, feita de uma peça única, de alto a baixo. Então eles combinaram: “Não vamos repartir a túnica. Vamos deitar sortes, para ver com quem fica”. Isto era para se cumprir a Escritura que diz: “Repartiram as minhas vestes e sortearam a minha túnica”. E foi assim que os soldados fizeram. (Evangelho de São João, 19,23-24)

Sabemos pelo Evangelho que a túnica do Divino Redentor, foi tirada a sorte para quem iria possui-la pelos soldados romanos. É provável que tenha sido recuperada pelos primeiras cristãos, voltando talvez para as mãos dos Apóstolos ou da Mãe do Salvador. Nossa Senhora foi residir em Éfeso, fora da Terra Santa, com São João Evangelista, após o Pentecostes. Logo cedeu lugar as perseguições romanas iniciadas por Nero no ano de 64 D.C. o Imperador Constantino em 312 D.C. aboliu o culto pagão e passou a favorecer o Cristianismo, em 326 D.C. Santa Helena, Mãe de Constantino foi à Ásia menor e à Terra Santa, e trouxe as relíquias da paixão, Expondo-as à veneração pública. Portanto a Santa Cruz, a Coroa de Espinhos, os Pregos da Paixão, a Túnica de Nossa Senhor, e o Véu da Verónica e outras relíquias de incomensurável valor foram sendo levadas para Constantinopla, Capital do Império Romano.003

A Imperatriz Irene do Oriente, no século IX presenteou a Santa Túnica do Nosso Senhor Jesus, ao Imperador Carlos Magno que fora sagrado pelo Papa Leão III, como Imperador do Ocidente. Carlos Magno, confiou a custódia da Santa Túnica do Nosso Senhor à Abadia de Nossa Senhora da Humildade, localizada em Argenteuil, a 30 quilómetros ao Norte de Paris. Neste mosteiro se refugiavam as grandes damas da corte para se afastarem do Mundo. No século IX e X, as costas da França foram atacadas por guerreiros pagão viking da Escandinávia, destruindo e pilhando os templos, e massacrando as populações. Paris foi atacada 6 vezes, sendo que em 845 por cerca de 120 navios viking. O perigo era eminente e a abadessa Théodrade, filha de Carlos Magno, e as religiosas tiveram que abandonar o Mosteiro. Não podendo transportar a túnica, pois poderiam ser surpreendidas na estrada, a solução foi guarda-la, num cofre no interior da Igreja dentro de uma parede falsa junto com os certificados de autenticidade desta relíquia. Os anos passaram e a abadessa Théodrade, e as demais religiosas, falecera no exílio levando este segredo consigo.

No século XII o Mosteiro de Argenteuil sofreu restaurações, e os pedreiros descobriram que uma parte da parede da Igreja era oca. Encontraram assim em 1156 o cofre dentro do qual, estava a Santa Túnica de Jesus, com os certificados de autenticidade.O Bispo de Paris tomou conhecimento do facto procedendo assim o reconhecimento da relíquia e dos documentos anexos, lavraram um atestado conhecido como Charte de 1156, numa cerimonia memorável, apresentaram a Túnica para veneração de uma multidão de fiéis. A partir daí, um grandíssimo numero de peregrinos foram favorecidos por graças extraordinárias, e por milagres que indirectamente confirmavam a autenticidade da relíquia.

Em 1567 a relíquia escapa à destruição por parte dos Protestantes, que no fim da idade média fizeram uma revolução. Os protestantes invadiram a cidade incendiaram a Igreja e mataram os Sacerdotes. Mas milagrosamente a Santa Túnica de Jesus, desapareceu de entre os muros do santuário, e depois do massacre ela reapareceu intacta tão misteriosamente como tinha desaparecido. Depois deste facto, muitas pessoas voltaram a peregrinar com frequência, e os milagres se multiplicavam, e a contemplação da Túnica ensanguentada de Jesus, proporcionava novas forças aos católicos em luta contra protestantes que preferiam a revolta pregada por Lutero.10

Em 1790, durante a revolução francesa, o fanatismo anticatólico dos protestantes voltou-se contra as relíquias dos Santuários Cristãos e a Sagrada Túnica corria perigo, o pároco da basílica procurou um meio termo em seu relacionamento com os revolucionários. Em 18 de Novembro de 1793, o pároco na sua política de concessões, concebeu uma ideia desesperada e insana: Rasgou a Túnica, enterrou a parte principal no Jardim, e distribuiu outros pedaços entre os paroquianos. Aquilo que os sádicos carrascos de Nosso Senhor não fizeram, fê-lo o sacerdote preocupado em estabelecer acordos com os protestantes. As tentativas de se tornar simpático à Revolução de nada lhe adiantaram visto que foi encontrado, e preso durante 2 anos, só libertado no final da Revolução.

Desenterrou então o pedaço principal, e foi procurar os fragmentos da Santa Túnica de Jesus, mas só encontrou alguns reconstituindo-a, mas ainda hoje falta uma parte da frente. camisa

Em Julho de 1882 e em Março de 1892 foram feitos cuidadosos trabalhos para preservação da Santa Túnica, estudando-se com cuidado o correto encaixe das diversas partes. Também fizeram exames científicos do que se constatou tratar-se da Túnica do Senhor Jesus que esteve em contacto directo com a pele de Nosso Senhor, e que fora marcada com grandes manchas de sangue. Era tecida com fio de lã de ovelha, fino como pelo de camelo, com uma trama em espinha de peixe, era de cor castanha escura avermelhado, lembrando o hábito franciscano ou carmelita.

Na época do Nosso Senhor, a indumentário masculina compunha-se habitualmente de várias peças: a primeira, mais interior, envolvia a cintura; a segunda era uma túnica de baixo, que ia até os joelhos, sendo esta o caso da túnica de Argenteuil, e a terceira, uma túnica exterior que ia até os pés; e por fim, o manto, ou capa, dobrada sobre os ombro, além das sandálias. A Túnica de Nosso Senhor sobressai a excelência do fio e a perfeição do feitio, indicando a alta posição social, Ela é sedosa ao tacto, a trama é tão delicada que pode até passar desapercebida. Segundo o costume da época, Nossa Senhora deve ter, Ela própria, fabricado o fio, fiando continuadamente 4 ou 5 fibras de lá de ovelha; e depois tecido a Túnica num tear caseiro. A cor avermelhada ou arroxeada da tintura é comum, não sendo própria dos ricos, que usavam a púrpura. Bem podemos imaginar o amor com que a Nossa Senhora teceu a Túnica de Nosso Senhor. Sob este aspecto podemos concluir que a Santa Túnica de Argenteuil também é uma relíquia indirecta da Mãe de Deus. A Túnica fica normalmente dobrada num relicário, onde pode ser vista através de um vidro protector, exposta solenemente a cada 50 anos. acr201206a

As manchas de sangue da Santa Túnica correspondem perfeitamente aos ferimentos e ás posturas próprias ao carregamento da Cruz, e correspondem exactamente sobrepostas com as chagas do Santo Sudário. Também aparecem as feridas diferenciadas das horríveis dilacerações dos açoites da flagelação, indicando com precisão a posição da Cruz.

Portanto a relíquia da Túnica de Nosso Senhor Jesus Cristo, é especialmente importante nos dias de hoje porque evidenciam provas patentes da sua paixão da importância do seu sangue divino para que os homens adorem, o sangue de valor infinito de Nosso Senhor Jesus Cristo verteu caudalosa-mente para a nossa Redenção; não podendo ser ignorado nem condenado ao esquecimento por toda a Humanidade uma vez que ele morreu por todos nós.

“Cães numerosos me rodeiam, e um bando de malfeitores me envolve, furando as minhas mãos e os meus pés. Posso contar todos os meus ossos. As pessoas observam-me e encaram-me, entre si repartem as minhas vestes, e sorteiam a minha túnica.”

(Salmo 21, 17-19)

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