O Milagre de Nossa Senhora Aparecida

nossa-senhora-aparecida-bmpQuando o Brasil ainda era um colónia de Portugal, no longínquo ano de 1716, o rei D. João V nomeou para Capitão Geral de São Paulo e Minas Gerais, D. Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, mais conhecido como o Conde de Assumar. Homem de elevada nobreza, mais tarde seria Vice-Rei da Índia.
O Conde de Assumar tomou posse da Capitania de São Paulo no dia 4 de Setembro de 1717 e em seguida partiu com a sua comitiva para Minas Gerais. No meio do caminho estava prevista uma parada em Guaratinguetá, para pernoitar.
Não era comum uma visita de tamanha importância naquelas terras… A Câmara Municipal de Guaratinguetá, muito pobre, viu-se de repente com a responsabilidade de abastecer ricamente a mesa daquele ilustre capitão. Surgiu então a ideia de oferecer-lhe uma refeição com peixes do Rio Paraíba. Para tanto, foram convocados Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves, pescadores experientes da região.
Lançaram-se eles ao trabalho, mas navegaram pelo rio sem conseguir coisa alguma. Quando chegaram ao Porto de Itaguaçu, João Alves arremessou a sua rede ainda na esperança de encontrar peixe. Após algum tempo de espera, sentiu que qualquer coisa se prendera à sua rede. Puxou-a para o barco com ansiedade. Logo, porém, viu que não se tratava de um peixe, mas sim do corpo sem cabeça de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição!
O mesmo João Alves arremessou mais uma vez a rede e pouco depois sentiu que nela havia algo. Porém, o que nela estava era a cabeça da imagem de Nossa Senhora da Conceição, e não os tão esperados peixes…
Os três pescadores deitaram novamente as redes e desta vez, para surpresa de todos, elas encheram-se de peixes. Eram tantos que os três homens lembraram-se imediatamente do episódio da pesca milagrosa, narrada no Evangelho.
No singelo relato por eles feito na época, contaram que por pouco o barco não afundou, tal era a quantidade de peixes que conseguiram pescar, graças
à ajuda da Santíssima Virgem.
Cheios de alegrias, foram à Câmara Municipal de Guaratinguetá levar os peixes e contar o ocorrido às autoridades competentes. No entanto, antes tiveram o cuidado de deixar a imagem com Silvana da Rocha, mãe de João Alves. Ali a enrolaram em panos e puseram num baú.
Naquela casa fez-se o primeiro oratório de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Esse nome foi-lhe dado justamente pelo facto de ela ter “aparecido” do fundo do Rio Paraíba.
O povo simples e devoto das redondezas passou a visitar a imagem, a fim de rezar o terço e pedir graças a Nossa Senhora. Não demorou muito a acontecerem casos de graças extraordinárias e milagres obtidos por intercessão da Aparecida…
A fama dos milagres alastrou-se de tal forma que o vigário da paróquia, padre José Alves Vilela, construiu uma capelinha para a Imagem. Mais tarde, em 1745, foi edificada uma capela maior, no alto do Morro dos Coqueiros.
Em 1834 foi construída uma bela igreja que recebeu o título de Basílica Menor em 29 de Abril de 1928.
Para felicidade do povo brasileiro, no ano de 1929, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida Rainha e Padroeira do Brasil.
Com o crescimento da devoção a Nossa Senhora Aparecida, o número de romeiros aumentou de tal maneira que a Basílica Menor não comportavam mais os visitantes. Por essa razão, no ano de 1955 os Missionários Redentoristas deram início à construção da nova Basílica, que é, actualmente, o maior Santuário mariano do mundo.


Não há quem visite esse Santuário e não se espante com a quantidade de “ex-votos” que ocupam um amplo salão. A “sala dos milagres” (como é chamada) é a prova mais evidente do quanto Nossa Senhora Aparecida ama o povo brasileiro!
Vêem-se ali inúmeros e comoventes testemunhos do poder se intercessão de Maria: coxos que voltaram a andar, mudos que começaram a falar, cegos que recuperaram as vistas, pessoas com problemas cardíacos que ficaram completamente curadas…


Basilica-de-Aparecida-do-Norte-1Um dos primeiros milagres registados nos anais da História de Nossa Senhora Aparecida ocorreu com um escravo fugitivo.
Cansado dos maus tratos que recebia na fazenda do seu dono, no Paraná, um escravo chamado Zacarias resolveu fugir.
O fazendeiro enfurecido contratou então um experiente capitão-do-mato para capturá-lo. Depois de muito procurar, este encontrou o escravo fugitivo em São Paulo, próximo à localidade de Bananal. Zacarias, com correntes e grilhões nos pés e nas mãos, foi amarrado ao cavalo do capitão-do-mato para ser levado de volta ao Paraná.
No caminho, quando passavam diante da capela de Nossa Senhora Aparecida, Zacarias, exausto e faminto, pediu ao seu guarda que lhe desse alguns minutos de descanso e autorização para rezar na igreja. Seus pés descalços estavam inchados e feridos pelas pedras da estrada.
O capataz permitiu, mas não retirou as correntes e grilhões do escravo, com medo de que ele fugisse novamente. Cheio de fé, ele caminhou alguns passos dentro da capelinha, caiu de joelhos no meio do corredor e rezou, pedindo à Mãe de Deus que o libertasse. Estavam ali nesse momento muitos devotos, inclusive alunos de uma escola vizinha. Boquiabertos, todos viram os grilhões dos pés e das mãos abrirem-se milagrosamente, deixando o escravo totalmente livre das das correntes.

Com o rosto banhado em lágrimas segurando as correntes, Zacarias dirigiu-se para o altar onde estava a imagem de Nossa Senhora Aparecida e, comovido agradeceu a libertação que consegui pela intercessão d’Ela,
E o capitão-do-mato, que a tudo assistira, qual foi a sua reacção? Também ele fora tocado pela graça! Examinou os grilhões e constatou que eles haviam-se rompido. Sem poder negar o milagre, decidiu então deixar Zacarias viver em liberdade. Mas pediu ao tesoureiro da igreja, que estava presente, uma declaração registando o ocorrido, para mostrar ao fazendeiro que o contratara.
Com o documento nas mãos, retornou sozinho ao Paraná e Zacarias ficou a morar perto do Santuário da Aparecida.

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